Tudo se passou como se passou. Agora, não vale a pena tentar contrariar. Não adianta fingir que é mentira. É escusado, porque não é restituindo à estátua a pedra que lhe foi retirada que se consegue c...
Não obstante os barulhos habituais lançados pela rua, à porta de casa do senhor Narciso reinava uma paz natural, rotineira, à prova de imprevistos ou movimentos de última hora. Gostava de lá ir. Depoi...
Quando o castigo que haveria de transformar para sempre o adolescente irreverente, cheio de pulsões por domesticar num jovem educado e sensível, o senhor Narciso não tinha ainda a cara de polvo com qu...
Quando terá sido? Ontem? Na semana passada? Em que mês, em que ano? O tempo fundiu a memória, fez das palavras do senhor Narciso um metal precioso de tal maneira incandescente, que, aos meus olhos, ai...
O senhor Narciso está sentado num banco do jardim, refletido pelo lago de água verde, suja de patos. Está rodeado de frio, rodeado de silêncio, rodeado do excesso de vazio de si mesmo que o transforma...
Contrariamente ao que é habitual, hoje, fujo à ficção e assento o sentido deste texto na realidade. Embora seja difícil estabelecer uma realidade única, inquestionável e objetiva, na medida em que sur...
Amanhã é o dia! Esta é uma certeza de pedra: amanhã é o dia! Em breve chegará a hora de dizer: – É agora! Ainda trago entranhados nos ouvidos os gritos com que o Noureddine exultou após o reenco...
Antes de avançar um pouco mais na minha história, há um pormenor que não pode ser ignorado. O cheiro a trampa ouve-se. O cheiro a trampa fala alto, de boca aberta, entra pelos ouvidos como uma longa r...
Foi graças à Lieva que comecei a reentrar no mundo pela porta da frente. Era bom: corríamos pelos passeios, ao nascer do sol, dissolvidos no primeiro pulsar do dia. Éramos dois traços de luz a riscar ...
O solitário não tinha nome. Ou tinha, mas era como se não tivesse, porque ninguém o dizia, porque ninguém o ouvia, e porque sem ouvir nada se diz. É como a solidão em si mesma, nós a chamarmos por alg...






