Ambiente Inteiro, por António Eloy

 Trata-se de um livro indispensável para formadores em educação ambiental, mas os ambientalistas experimentados ou curiosos têm tudo a ganhar com a leitura de “Ambiente Inteiro”, por , Edições Colibri, 2014. António Eloy tem vastíssima experiência na educação ambiental espelhada na sua obra prolífica. Que há de particular neste rasgado conjunto de olhares, que justificam a sua leitura? A sua transversalidade, que aproxima as temáticas da sustentabilidade, e o halo poético que se encontram nas descrições. Logo a arrancar a aventura ambiental, falam-nos das áreas protegidas, e considera-as “zonas nas quais se verifica a ocorrência de espécies ameaçadas ou raras, caraterísticas naturais, em termos de geologia ou vegetação, de relevante interesse, ou áreas com uma história e ocupação humana que as marcaram e estruturaram a paisagem de forma equilibrada”.

Falando das andorinhas, surpreende o seu didatismo:

“Para defender a vida destas simpáticas avezinhas, temos antes de mais que alterar a forma como exploramos a natureza, evitando a extinção das zonas húmidas, reduzindo a utilização de químicos nas práticas agrícolas e desenvolvendo a criação extensiva de gado. Como as andorinhas se alimentam de insetos é necessário proteger os animais em que estes se podem desenvolver.

Ao mesmo tempo poupamos na utilização de inseticidas e fertilizantes químicos pois elas são um melhor inseticida natural que podemos utilizar. Uma família de andorinhas pode consumir mais de 10 mil insetos por dia”. Somos mediterrânicos pela nossa grande variedade de matos, a tentar contra esta riqueza é pôr em causa a biodiversidade, e por isso o autor enumera o que se pode fazer para dispormos de um turismo sustentável: conservar os espaços naturais mais valiosos, impedindo a sua urbanização e desenvolvendo planos de ordenamento adequados; estabelecer códigos de conduta para as instalações hoteleiras; apoiar as administrações locais para se possam dotar de ferramentas para a melhoria ambiental.

Depois de exaltar os valores gastronómicos no contexto da ecologia e da entidade cultural dos povos, recorda-nos a importância da floresta. As árvores têm funções que devemos apreciar a partir da tenra idade: proteção do solo contra o impacto da chuva, a manutenção da humidade, que é indispensável à vida e das condições climatológicas, bem como a regeneração do oxigénio e a produção de madeira para a construção ou lenha. Falando da nossa floresta mediterrânea, recorda os montados: “Embora lhe chamemos floresta, seria mais correta chamar-lhe matos, pois são terrenos mais abertos pois são terrenos mais abertos salpicados de azinheiras, sobreiros, oliveiras, etc, grandemente influenciados pelas atividades humanas de aproveitamento de produtos dessas árvores (azeitona, cortiça, frutas).

São matos que foram sendo humanizados e que mostram o nosso papel fundamental na construção da paisagem e no dar vida à terra onde vivemos. A mata mediterrânea é talvez o mais relevante monumento do homem à natureza”. Na sequência destas observações, fala-nos de políticas florestais, na degradação dos solos e desertificação e faz mesmo a defesa da floresta tropical.

Fatalmente que um livro sobre educação ambiental tem que pôr acento tónico nas reciclagens. Desde o século XIX que assistimos a um caminhar onde a mobilidade, a comunicação, a imagem e o tempo parecem ser os novos horizontes que temos pela frente, e o autor desabafa: “Fomos transformando os recursos em capital através da nossa atividade e fomos mergulhando no consumo. Até que, alertados por muitas vozes, começámos a dar-nos conta que nos estávamos a encher de lixo. E exprime uma reflexão a propósito dos lixos e do poder dos cidadãos: “Cada tonelada de papel feita de papel velho reduz o consumo energético de um quarto a três quintos e os poluentes atmosféricos em cerca de 75%. Alumínio produzido a partir de latas recicladas reduz as emissões de óxido de azoto em 95% e dióxido de enxofre em 99%.

O educador ambiental está hoje confrontado com a pegada ecológica e falando dos múltiplos resíduos (lançados na atmosfera pela indústrias, as água residuais, os resíduos sólidos…) recorda-nos que temos que dar passos seguros em torno da economia circular: reduzindo ao mínimo o volume dos resíduos produzidos; reutilizar o máximo de produtos de forma que demorem mais a transformar-se em resíduos e reciclar o máximo de produtos e materiais para evitar a degradação da natureza e os recuperar como recursos úteis.

Este livro é um belo guião para preparar formadores em bases sólidas e a atuar nas escolas.

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