Maior rajada de vento de maio em Portugal foi na Foia
De acordo com o boletim climatológico do mês de maio deste ano divulgado no passado dia 4 pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o alto da Foia, na Serra de Monchique, registou a rajada de vento mais forte de todo o País no último dia 2 de maio, com 126,7 km/h.
O boletim revela, ainda, que o mês passado classificou-se quente e seco em Portugal Continental (veja detalhes na imagem ao fim deste texto).
Na média de temperatura, foi o 12.º maio mais quente desde 2000, com +0,45°C acima do valor normal (medições de 1991 a 2020).
Registou-se um total de precipitação abaixo do normal, correspondendo a 68% do valor médio no mesmo período de medições.
Registaram-se 18 novos extremos (e mais três igualados) do maior valor de temperatura máxima. Registaram-se ainda dois novos extremos do maior valor da temperatura mínima.
Entidade contesta parque eólico
Ainda em relação aos ventos, a associação ambientalista Zero contestou o projeto do Parque Eólico de Silves por prejudicar a zona de Monchique.
“O Parque Eólico de Silves, com uma área de estudo superior a 7.300 hectares e uma LMAT [Linha de Muito Alta Tensão] indefinida, ameaça a Serra de Monchique”, afirmou a associação em nota.
Segundo a entidade, esta é uma “Importante Bird Area” (IBA), crítica para aves de rapina, sobrepondo-se igualmente a áreas da Rede Natura 2000 (Zonas Especiais de Conservação e Zonas de Proteção Especial para as Aves de Monchique e Caldeirão).
“Perante este cenário, aliado à falta de informação nos processos de consulta pública (que mais parecem um formalismo vazio) e à ausência de uma análise séria de alternativas que contemplem a redução significativa do número de aerogeradores para evitar zonas sensíveis ou a não realização do projeto, a Zero não teve outra alternativa senão emitir também parecer desfavorável a este projeto”, publicou a associação.
A Zero sublinhou que não é contra a produção de energia renovável, “necessária à descarbonização e à manutenção da ambição dos objetivos ambientais e climáticos”.
“No entanto, estes projetos, na forma como estão a ser propostos, representam um rude golpe nos esforços de conservação, precisamente na altura em que deveríamos estar a celebrar e a reforçar a proteção do nosso património natural”, ressalvou, acrescentando que a metodologia atual de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), “aplicada de forma casuística, revela-se ineficaz para contabilizar os impactes cumulativos e para assegurar uma visão estratégica e integrada da expansão das renováveis”.
Para a Zero, “a transição tem de ser justa, tanto ambiental como socialmente”. “Isto significa que, sempre que necessário, há que rejeitar projetos que destroem capital natural relevante, que se instalam em áreas classificadas, que ameaçam espécies protegidas e que ignoram alternativas em zonas de menor sensibilidade ambiental”, concluiu.


