Concertos de rock, encontros, convívios e projetos para trazer mais movimento a Monchique fazem parte dos objetivos da Associação Tricares e afins da Nave. A coletividade conta atualmente com 204 sócios e nasceu durante a pandemia, em 2020. “Na altura foi complicado, porque estava tudo fechado”, explica Maria João Barradas. As coisas já tinham começado a ser planeadas em 2019, e a ideia foi do Gracindo, que é louco por motas”, acrescenta.
Os responsáveis pela associação, Gracindo, presidente, e Maria João Barradas, tesoureira, que nos acolheram calorosamente na sua sede situada na Nave, em Monchique, explicam que querem “dar força aos rapazes que têm bandas de rock” e criar oportunidades para os músicos mostrarem o seu trabalho. O objetivo principal da associação passa ainda por criar um espaço de convívio, promover iniciativas culturais e apoiar atividades que tragam movimento e animação a Monchique.
Nos últimos tempos, a Tricares tem organizado eventos dedicados às bandas de garagem, iniciativas que, segundo os entrevistados, têm tido uma adesão muito positiva. Destacam o primeiro evento com bandas de rock, que trouxe até à associação cerca de 300 pessoas. Ambos confessam que “foi uma loucura”.
No dia 1 de maio, também o Nave Metal Fest III teve grande afluência de participantes”. “Os concertos começavam às 17h00 e pelas 15h30 já havia uma fila de pessoas para entrar”, relembra Maria João.
Além dos convívios, a associação pretende diversificar as atividades no futuro. Entre os projetos desejados, se não tivessem qualquer tipo de limitação, estão as feiras de velharias e de peças antigas de motas, encontros de carros e motas, bem como mostras ligadas ao colecionismo automóvel. “Era uma coisa boa para Monchique”, afirmam, reconhecendo, no entanto, “que iniciativas desse género exigem bastante logística”.
A Tricares mantém as portas abertas não apenas aos sócios, mas também ao público em geral durante determinados eventos, “desde que sejam convidados pela direção ou por algum dos sócios”, esclarece Maria João. Além do espaço de convívio, a associação procura ajudar os seus membros no que estiver ao seu alcance. Disponibiliza também o espaço para festas e encontros particulares dos associados, apoiando na organização, sempre que possível.
Para se tornar sócio basta fazer a inscrição junto da direção. A quota é de um euro por mês e, como gesto simbólico, os sócios recebem uma garrafa de vinho por altura do seu aniversário.
A associação conta atualmente com membros de várias zonas do Algarve e estrangeiros residentes em Monchique. “A maioria dos sócios até é estrangeira, mas vive aqui ou tem casa cá”, explicam.
Apesar do entusiasmo, os responsáveis admitem que nem sempre é fácil manter a atividade associativa, contudo a sede só está fechada à segunda-feira. Gracindo considera que “um dos maiores desafios tem sido a burocracia e a dificuldade em obter autorizações para determinados eventos”. Além disso, admite que “é muito difícil estabelecer parcerias em Monchique”, com outros clubes ou entidades, contudo, apesar da Tricares “não ter nenhuma”, o dirigente associativo “gostava de ter”. Conta que já tentou fazer um evento do género da concentração de motas de Faro, mas que não obteve autorização. “Só complicam”, afirma.
Referem também que organizar atividades exige muito esforço e apoio humano, algo que nem sempre conseguem reunir, sendo a essa carência outro desafio. Embora existam alguns voluntários e sócios que colaboram nas iniciativas, os dirigentes reconhecem que é cada vez mais difícil encontrar pessoas disponíveis para ajudar regularmente. Ainda assim, o balanço é positivo. O ambiente vivido nos concertos e adesão do público continuam a motivar a associação. “Ver isto cheio dá-nos força para continuar”, reforçam.
O próximo evento da Tricares vai realizar-se no dia 4 de julho, novamente com música ao vivo e bandas de rock, mantendo o espírito de convívio que a associação pretende continuar a promover em Monchique.
No final da conversa, os responsáveis deixaram um apelo para que mais pessoas apoiem a associação, sobretudo através do pagamento regular das quotas e da participação nas atividades. Consideram que o associativismo só funciona com envolvimento da comunidade.
Por Lúcia Costa
Nota: Esta reportagem foi publicada na edição impressa n.º 510 do Jornal de Monchique, na página 9.
Foto: Lúcia Costa/JM











