Monchique é o único município do Algarve que integra o CILUMES-Interopera, projeto europeu cofinanciado pelo Interreg POCTEP (Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal 2021-2027), o maior programa da modalidade na União Europeia (UE).
O investimento previsto por Monchique é de 430 mil euros no Centro de Meios Aéreos, financiado a 75% pelo projeto para combater incêndios. O orçamento total do CILUMES-Interopera é de 14.040.056,70€, cujo beneficiário principal é a Junta da Andaluzia.
O lançamento aconteceu nos passados dias 3 e 4 de junho, em Sevilha, reunindo administrações de Espanha e Portugal para iniciar uma estratégia de melhoria da resposta aos incêndios florestais na Raia hispano-portuguesa.
O evento de lançamento foi dividido numa apresentação com autoridades e representantes e na celebração da primeira reunião do comité, no Centro de Defesa Florestal (CEDEFO) de El Pedroso. O encontro teve um caráter técnico, no qual foram apresentados os objetivos e as atividades que sustentam o projeto.
Os coordenadores de Património Natural e Política Florestal de Castela e Leão, a Agência de Segurança e Gestão Integral de Emergências da Andaluzia e a Dirección Xeral de Defensa do Monte da Xunta de Galicia abordaram em profundidade temas como a governação, a capacitação, a interoperabilidade e a estratégia de comunicação.
Atuação conjunta
O CILUMES-Interopera nasce como um projeto estratégico e estruturante, com a vocação de se tornar uma referência europeia em matéria de governação e interoperabilidade perante grandes incêndios florestais na Raia, um território gravemente afetado pelos incêndios florestais.
Para isso, centra-se na melhoria da atuação conjunta das equipas de emergência, no aumento da capacidade de resposta e na facilitação da coordenação entre ambos os países, incorporando novas tecnologias e infraestruturas e reforçando a formação das equipas operacionais para proteger o território e as populações.
A parceria é liderada pela Junta da Andaluzia. Participam também, financeiramente, a Dirección Xeral de Defensa do Monte da Xunta de Galicia, a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), a Junta de Castela e Leão, o Município de Monchique, a Junta da Estremadura, o Município de Arcos de Valdevez, a Axencia Galega de Emerxencias (AXEGA) e a Fundação Europeia para a Inovação (Finnova).
Além disso, participam como parceiros sem financiamento a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-Algarve), a Diputación Provincial de Ourense, a Diputación Provincial de Huelva, a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte) e a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho).
A partir do envolvimento conjunto, o projeto poderá desenvolver os seus objetivos até 31 de dezembro de 2028. Sob o lema “resposta imediata aos incêndios na Raia”, o projeto pretende dar visibilidade a uma cooperação que pretende proteger o território, sensibilizar para a prevenção, reforçar o trabalho conjunto entre Espanha e Portugal e envolver a sociedade civil na defesa de um espaço fronteiriço especialmente vulnerável ao fogo.
SUDOE EFHERA
A AMAL participou de outra iniciativa que decorreu no início de junho, no Algarve e em Sevilha: o projeto SUDOE EFHERA, também relativo a um projeto europeu de cooperação transnacional e inserido no programa Interreg Sudoe, focado na recuperação de áreas afetadas por grandes incêndios florestais.
No âmbito do EFHERA, o Algarve recebeu investigadores internacionais no primeiro dia de junho. Foi realizada uma visita técnica à área piloto localizada na zona afetada pelo incêndio rural do Monte da Vinha – Bordeira (Aljezur e Lagos), para reforçar as estratégias de recuperação hidrológica e ambiental da região.
A comitiva integrou investigadores da Universidade de Évora e da Estación Experimental de Aula Dei (CSIC) de Saragoça, em Espanha, e técnicos florestais da AMAL, das Terras do Infante e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
A meta da visita foi dar a conhecer o terreno para a realização de amostras de solo – uma etapa crucial para a monitorização da perda de terra após o incêndio. Por meio de tecnologias avançadas como a espetrometria de raios gama, a equipa científica irá agora calibrar modelos digitais que permitem prever o risco de erosão e otimizar as intervenções de estabilização de emergência.
O trabalho insere-se no projeto EFHERA, do qual a AMAL é parceira, e junta a gestão florestal e a ciência para tornar o território mais resiliente às alterações climáticas e proteger o património natural do sudoeste europeu.
Foto: reunião do CILUMES-Interopera – Reprodução/Divulgação
#monchique #jornaldemonchique #algarve











