A entidade ambientalista Quercus também veio a público, neste mês, criticar a implantação de uma incineradora no Algarve, afirmando ainda que vai dinamizar a criação de um “Livro Branco dos Resíduos em Portugal”.
No passado mês de agosto, a associação Almargem já havia criticado a proposta atribuída ao governo português. Agora, a Quercus afirma em nota que a incineradora “é uma solução completamente anacrónica e desadequada para responder ao esgotamento dos dois aterros sanitários da região”.
Segundo a Quercus, a ideia está em “completo contraciclo” face às metas do PERSU (Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos) 2030 e “aos objetivos climáticos com que Portugal se comprometeu”.
“Construir uma unidade de incineração é o oposto do que preconiza a economia circular: significa apostar numa infraestrutura de ‘fim de linha’, substituindo aterros por outra solução de deposição final”, diz a nota. “A resposta tem de passar por reduzir a produção de resíduos, melhorar significativamente a triagem e tornar o sistema resiliente às oscilações sazonais.”
Para a entidade, a incineração não está pensada para picos sazonais de resíduos, além de emitir mais CO₂ por kWh (quilowatt-hora) do que os combustíveis fósseis. A Quercus expôs, ainda, algumas questões à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que, de acordo com a associação, carecem de esclarecimento.
“Existe falta de vontade política”, conforme a nota da associação, em considerar alternativas menos lesivas para o ambiente. “Elas efetivamente existem e têm resultados comprovados noutros municípios nacionais.”
Além das críticas, a Quercus informou que vai, desde já, dar os primeiros passos para a futura criação de um “Livro Branco dos Resíduos em Portugal” – um documento “estratégico, plural e independente”, com contribuições de vários campos da sociedade, que contenha propostas de ação para a gestão de resíduos em Portugal, seguindo os melhores exemplos a nível europeu.
Consulte aqui a íntegra da manifestação da Quercus.
Foto: @cgdeaw/AdobeStock
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