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Nova ERPI está em construção no Alferce

Nova ERPI está em construção no Alferce - Foto-Lúcia Costa_JM

A freguesia de Alferce está a dar um passo importante no reforço da sua resposta social com a construção de uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI). A obra, que teve agora início, representa um investimento significativo, que começou por estar estimado em cerca de três milhões de euros, mas que pode chegar aos 8 milhões e 600 mil euros. Como explicou José Manuel Gonçalves ao JORNAL DE MONCHIQUE, “estes três milhões são destinados à construção do edifícios, fiscalização, licenciamentos e equipamentos principais, como camas”. Os equipamentos mais pequenos ficaram de fora deste pacote: “estamos a falar, por exemplo, de tudo o que são áreas de apoio de cozinha, sala de estar, quartos, ou seja, coisas mais pequenas”, explicou

A intenção de fazer este projeto começou há 10 anos. O caminho até à aprovação e financiamento foi longo e com várias etapas. Segundo o responsável, tudo começou com a candidatura ao programa PARES, em 2020, que “foi aprovada, mas sem dotação de verba.” Posteriormente, apresentamos o projeto ao Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), e apesar de sermos o projeto “com mais maturidade”, ficámos novamente aprovados, mas ainda sem verba só “depois é que fomos repescados”, através da redistribuição de fundos não utilizados por outras instituições.

Com o passar o tempo, o valor da obra “praticamente duplicou”. Na altura, ou seja há três anos, a construção estava orçamentada abaixo de um milhão de euros”, confessa.

A nova ERPI será integrada no Centro Comunitário do Alferce, juntando-se aos já existentes Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário. Terá capacidade para 35 utentes e será articulada com as instituições locais e com a Segurança Social. Na ERPI vão existir camas sociais cuja gestão é feita diretamente pelos serviços sociais do Estado, enquanto que as restantes são atribuídas com base no regulamento interno da instituição. José Manuel Gonçalves esclarece esta divisão: “como temos o protocolo de cooperação com a Segurança Social, existem sempre camas que são câmaras sociais. Nessas, não somos nós que decidimos. Será sempre a Segurança Social a indicar e a colocar.” Já nas restantes, “normalmente damos prioridade às pessoas daqui da freguesia e do concelho também”.

O responsável admitiu, ainda, que este novo equipamento sempre fez parte da visão inicial da instituição: “o nosso projeto, desde o início, não era só o Centro de Dia e o Centro de Apoio Domiciliário, mas quando fizemos a candidatura só havia verbas na altura para isso. E, durante vários anos, não houve verbas disponíveis de financiamento para a ERPI.

Para José Manuel Gonçalves, o Centro de Dia e o Apoio Domiciliário “foi aquilo que fez com que ficasse cá gente jovem, principalmente depois do incêndio de 2018.”  Portanto, espera que esta ERPI, além de melhorar a resposta social, terá também um impacto no desenvolvimento local, ao nível do emprego e da fixação da população. “Está prevista a contratação de mais 35 colaboradores”, o que representa um crescimento muito significativo face aos 16 funcionários que atualmente trabalham no centro de dia. “Vamos ficar com cerca de 50 colaboradores, o que é efetivamente muito grande por uma freguesia de 400 pessoas”, admite.

Neste momento já existem “protocolos com outras instituições do concelho, a nível de tratamento psicológico, tratamento físico, atividades para o Centro de Dia e Apoio Domiciliário.” E, naturalmente, vão continuar na nova unidade. Até porque, esclarece José Manuel Gonçalves, “hoje em dia, as ERPI não são vistas como um centro, um depósito de idosos, mas sim como uma atividade, para continuar com eles felizes e ativos”.

Além disso, “aquilo que se tem pretendido com estes investimentos é tentar desenvolver a freguesia e, ao mesmo tempo, tentar desenvolver o concelho.”

Atualmente, a instituição presta apoio domiciliário a 40 pessoas não só no Alferce, mas também nas em Monchique e até aos Casais e tem 19 utentes no Centro de Dia.

Esta nova ERPI de Alferce é mais uma resposta social, até porque as outras freguesia do concelho já têm uma unidade tipo esta,  e pretende ser um projeto estruturante para a freguesia, com impacto direto na criação de emprego, fixação da população e melhoria da qualidade de vida da comunidade sénior.

A data prevista para conclusão da obra é, daqui a um ano, em julho de 2026.

Esta reportagem foi originalmente publicada na edição n.º 500 do JORNAL DE MONCHIQUE