Os Malucos

Dos malucos costuma-se dizer que são mais que as mães, partindo do princípio de que alguns serão irmãos. A expressão aplica-se para destacar o seu elevado número. Mas, na verdade, não serão assim tantos como querem fazer crer: às vezes até dá jeito passar-se por maluco.

Tudo indica que será isto que se passa com parte significativa dos incêndios florestais, de que quase 40% deflagram de noite… A origem criminosa de muitas das ignições, de que têm sido encontrados vestígios e ouvidos relatos comprovativos, não pode ser atribuída só a malucos. Seriam malucos a mais.

Ou então os malucos passaram a constituir a normalidade e seremos nós, os normais, malucos.

Apesar de tudo, o povo habituou-se a desculpabilizar os malucos: deixa lá, é maluco. Mas o caso dos incêndios é demasiado grave para isso. Estão em causa o património nacional, os bens privados de vidas de trabalho e as próprias vidas de possíveis vítimas. A justiça terá de ser mais rigorosa e a lei mais severa. Se é maluco, trata-se e a sociedade tem de arranjar forma de se precaver de ações danosas como estas. Se não é maluco, para além de o punir, tem de se descobrir o que o motiva a atear incêndios, se alguém o está a pagar para isso.

Não sejam já os incêndios um moderno Maluco, aquele arquipélago indonésio hoje conhecido como Molucas onde os portugueses do século XVI iam buscar a riqueza das especiarias. Chamem-lhes malucos…

É exigível que sejam devidamente investigados e divulgados os motivos e as identificações dos promotores dos fogos postos, dadas as dezenas de presumíveis criminosos que têm sido detidos, eventualmente poucos malucos. Há tantos anos que isto dura que já é altura de sabermos o que se passa, que não é justificável nem admissível qualquer encobrimento. Não façam de nós malucos.