O Nostálico

nostalico Parc de Princes. Portugal - Austria1
Parc des Princes. Portugal – Áustria
nostalico Lyon. Portugal - Hungria1
Lyon. Portugal – Hungria
nostalico - Stade de France - Final1
Stade de France – Final

“Pouco importa, pouco importa! Se jogamos bem ou mal! Vamos é levar a taça, para o nosso PORTUGAL!”

Obrigado campeões! Um monchiquense na final do Europeu…

Fantástico! Portugal foi campeão europeu de futebol no Stade de France em Saint-Denis/Paris, em França, a jogar contra a…França! Não tenciono escrever muito sobre a tática escolhida pelo nosso selecionador Fernando Santos que nos permitiu trazer o “caneco” para Portugal, ou sobre o excelente golo do grande Ederzito, ou sobre o melhor jogador de Portugal neste europeu em França, Pepe, ou sobre as revelações Renato Sanches e Raphael Guerreiro, ou sobre o grande capitão Ronaldo, que nos salvou da derrota contra a Hungria e que desbloqueou o jogo contra o País de Gales com um fabuloso golpe de cabeça, ou sobre o melhor guarda-redes do torneio, Rui Patrício, ou sobre as surpresas José Fonte e Adrien Silva, este último provavelmente com a responsabilidade de termos derrotado a Croácia ao “secar” a estrela Modric, ou sobre as excelentes participações do Nani, Quaresma, Cedric, William, João Mário, Bruno Alves, André Gomes (transferido recentemente para a “minha” cidade de Barcelona), Ricardo Carvalho, Eliseu, Danilo, João Moutinho, Vieirinha e Rafa, e já agora os guarda-redes suplentes Anthony Lopes e Eduardo, mas sim escrever umas linhas sobre a aventura patriótica dos “Armandos” em França.

Como já aqui tive oportunidade de escrever, desde 1996 no europeu em Inglaterra que tentamos estar sempre presentes nos campeonatos do mundo e da Europa no apoio à nossa seleção! E depois de 2004, no europeu realizado em Portugal, nunca mais falhamos uma fase final. Fomos à Alemanha em 2006, à Suíça em 2008, à África do Sul em 2010, à Ucrânia em 2012 e ao Brasil em 2014. No entanto, inesquecível mesmo foi este europeu em França! Sabe tão bem ser campeão! E se já é algo de indescritível ser campeão pelo Benfica, nada se compara a sermos campeões pelo nosso Portugal!

Na companhia dos meus amigos Armandos, Rui Afonso (Armand Ralph), João Miguel Magalhães (Armand Michel), José Diogo Freire (sempre presente o Armand Chien), Paulo Jesus (Armand Cagon), João Jan Nunes (Armand Pombe) e Helder de Oliveira (o “nosso” Armand Tio), saímos de Lisboa no dia 17 de junho rumo a Paris para o Portugal-Áustria no Parc des Princes. Ficamos instalados em Abesses, um bairro bem parisiense, onde não faltavam os croissants e a musica de acordeão. Mais abaixo, no Pigalle, ainda saboreamos a noite no Moulin Rouge e a invasão da musica irritante inventada pelos norte irlandeses. Neste local, qualquer bar tinha à sua porta um magrebino que mal via um português gritava quase de imediato: “Anda cá car…!”

Em Paris, não podia faltar uma visita ao Quartier Latin, à Torre Eiffel, onde a fan zone deixou muito a desejar, a Sacré Coeur e à Notre-Damme. Ainda tivemos tempo para degustar os sempre saborosos “scargots” e um excelente bife tártaro em Saint Germain de Prés. Nas nossas t-shirts tínhamos escrito “Armandos – Sampre en Fran”, e apenas os portugueses se riam com isso, sendo essa a nossa intenção. Paris, devido à realização do europeu era nesta data um local cheio de adeptos franceses, ingleses, alemães, austríacos, italianos e outros, sendo que nenhum destes apontava a nossa seleção como potencial vencedora do torneio, até porque começou com um empate contra a Islândia e outro em Paris contra a Áustria. Mais uma razão para o prazer imenso de calarmos os fanfarrões da Europa com o título trazido para Portugal! No dia 20 de junho saímos de Paris (não julgava lá voltar tão cedo…) rumo a Lyon num TGV de boa memória para assistirmos ao jogo contra a Hungria.

Lyon está na confluência de dois rios, parece uma pequena Paris. Na Brasserie George, a Portugália lá do sitio, degustamos petiscos locais, principalmente o João Miguel e a sua tripa, e bebemos a sempre apetecível cerveja, porque o vinho, embora razoável, não se compara aos nossos bons vinhos do Douro e do Alentejo, para não falar nos preços. Encontramos a equipa de reportagem da SIC que primou pela habitual antipatia e arrogância, mas nada que não tivéssemos já constatado na Ucrânia e no Brasil. Com tantos jogos de futebol por dia, estivemos na parte velha de Lyon, fazendo a festa e parecendo que éramos muito menos adeptos do que os mal encarados dos húngaros (faltavam os emigrantes, que apareciam no dia do jogo). Depois do empate contra a Hungria regressamos a Portugal pouco convictos que podíamos chegar longe, mas ainda assim convencidos que a sorte estava do nosso lado nos potenciais adversários, e que já em 1982, a matreira Itália tinha chegado a campeã do mundo, depois de 3 empates na fase inicial e sem nunca jogar bonito. Seriamos nós capazes de fazer o mesmo?

Em Portugal, assistimos aos jogos contra a Croácia, Polónia e País de Gales pela TV, e neste último decidimos fazer a verdadeira expedição patriótica a França para apoiar os valentes portugueses! Assim foi, o João Miguel tratou dos bilhetes no site da UEFA, o Tio tratou dos voos e eu tratei do hotel em Paris (embora localizado numa área que por vezes parecia estarmos em Dakar ou Luanda, nunca mais será esquecido o também campeão Hipohotel). Na companhia do André, outro pequeno grande Armando, ouvimos no dia e nas horas que antecederam a grande final opiniões quase generalizadas da quase derrota ante dos gauleses! Mas também ouvíamos palavras de confiança de quem por qualquer motivo não gosta da sobranceria dos “franciús”. Ainda tivemos oportunidade de jantar num restaurante português nos subúrbios de Paris cheio de emigrantes. Foram simpáticos q.b. mas sinceramente mais parecia que estávamos num restaurante de Valongo ou Gondomar. Ou seja, sem nenhum tipo de preconceito, demasiado tripeiro…

E chega a grande final! Nunca estivemos sentados, perdemos a voz, vibrámos e emocionámo-nos com a maior conquista a nível de seleções e nunca será esquecida a imagem dos Campos Elísios vestidos de verde e vermelho! A expedição patriótica ficará para sempre nas nossas memórias e não tem preço o fato de termos estado no Stade de France no momento em que o Cristiano Ronaldo (o mesmo que o Payet teve intenção de “arrumar”) levantou a taça de campeões da Europa!

Obrigado Portugal, esperemos que outros setores, e já agora câmaras municipais possam ter uma estratégia vencedora como teve a nossa seleção! Até 2018 na Rússia…