O Arco

Há por aí cada besta. A besta é uma arma do tipo arco e flecha. Houve um que, querendo imitar o Guilherme Tell, armar-se em herói libertador, esticou o arco ao contrário e falhou o tiro: em vez de acertar na maçã em cima da cabeça do filho, atingiu o próprio olho. Não sei se foi assim que nasceu o Arco do Cego. Já o arco da Rua Augusta foi construído para celebrar os heróis.
Enquanto porção de uma curva, o arco é elemento que aparece na arquitetura a emoldurar a parte superior de um vão. Por ele se entra ou se sai, se se tratar de uma porta. Por isso o Portas criou o arco da governação e nele fez entrar, além do CDS, o PSD e o PS. Tudo o mais ficou interdito. Sendo sabido que pelas Portas se deve entrar a Passos, preferencialmente.
Por isso é que, com o resultado eleitoral, embandeiraram em arco e assinaram um acordo sem se preocuparem com mais nada. Qual marcha lisboeta pegaram no arco e balão, um de cada lado, e lá vai Lisboa.
O problema é que o balão rebentou, com que não contavam. Uma coisa do arco-da-velha. E ao rebentar parecia fogo-de-artifício, partido em diversas cores, qual arco-íris em manhã primaveril. Confirmado o provérbio “Arco sempre armado, ou frouxo ou quebrado”.
Entretanto, os da maioria nova tomaram um ar triunfal. Digo ar triunfal, só a primeira sílaba de arco, arco incompleto, porque o acordo anunciado ainda não está fechado e dele pouco se sabe. Vamos ver se o profetizado arco do triunfo não redunda em arco abatido.
Venha o que vier, vamos nós continuar a ouvir música: já há muito boa gente a pegar no arco do violino.