Mea culpa (?)

Espero que os mercados não se enervem… está tudo resolvido. Seria um enorme desconforto os mercados e o capitalismo precisarem de ser medicados.
Já basta que milhões estejam a viver a anti-depressivos ou numa luta diária para sobreviver ao sistema psicopata que nos domina e não nos quer livre. Não lhes quero acrescentar preocupações. Por isso faço uma declaração de princípio e de fim.
Declaro a todas as entidades, famílias e tribos que a culpa é toda minha.
Se bem que o Senhor Schauble e a senhora Merkel sejam cavalos de Tróia nas vidas dos portugueses, se vierem a ter problemas com o seu banco, a culpa é minha.
A Alemanha perdeu a guerra, mas a filosofia por trás está claramente a vencer. E a culpa também é toda minha.
Se mais algum banco tiver de ser salvo ou mais austeridade for imposta, ou mais alguma crise financeira/económica acontecer, não importa onde, declaro que:
– sim! fui eu que vivi acima das minhas possibilidades e a culpa é minha.
Vou pagar porque sim. Enquanto me chicoteio e canto: ai destino, ai destino… Sim porque “eles”, essa entidade que engloba os poucos que beneficiam com o capitalismo em que vivemos, julgam-se (e são de facto) donos com direito exclusivo à vida. Mea culpa, porque deixo.
Não é uma teoria da conspiração (foi assim chamada a qualquer teoria relativa a pessoas que questionem o que está declarado como única verdade) é assim que nos impõe, com a nossa benevolente aceitação, ignorância e passividade, as piores torturas. Mea culpa, porque autorizo.
Nos dias que voam, empresta-se e fabrica-se dívida para de seguida sem meios para a pagar, sermos chantageados e forçados a abrir a porta de casa aos ladrões de gravata para que pilhem o que quiserem. E ficarem com a nossa casa onde nós passamos a ser os seus servos. Mea culpa, assinei com uma cruz.
Como nós portugueses fazíamos no tempo das Descobertas. Sacávamos, pilhávamos, escravizávamos, matávamos. Assim são as instituições que nos descobrem, governam e defraudam a vidinha. Reconhecem-se a abrir a porta de casa? A culpa é da vítima claro. Andava a pedi-las ao mostrar a coxa… Agora já se vêem as cuecas de tanto que nos agachámos.
Soluções? Abrir os olhos e não cooperar. Temos o poder de dizer que não. Mas somos demasiado passivos e cobardes… Preferimos ver gente a morrer à nossa volta e ir ao funeral chorar e levar flores. E lamentar que já chegámos tarde.
Não podemos fazer mais nada… é a vida, dizemos! E assim mostramos quão pouco gostamos da vida.
Temos de perceber o jogo e passar para o nível de consciência de que a corda nos ata o pescoço. E aperta. E não cooperar com o carcereiro. Deixar de nos inclinarmos. Há exemplos de quem vença guerras assim?
Há! Ghandi fê-lo. Muitos outros optaram pelo suicídio e eu, como diz o poeta, não estou nada bem. Não, não é nada que me arraste para uma morte no cadafalso. Quero é deixar de ser a vítima deles. Porque no final das minhas contas, a culpa não é minha.
“Eles” que pensaram e executaram o roubo das nossas vidas são os psicopatas e a culpa nunca, mas nunca é ou será da vítima.