Cartas ao diretor: As evacuações na ótica dos familiares

Triste e preocupada pelo facto de a minha mãe estar longe, numa fase em que Monchique está de preto e não há verde para alegrar os nossos dias e de toda esta situação que temos vivido nestes dias! Estou grata!

Passo a explicar toda a minha inquietação e a minha gratidão!

A minha mãe tem 67 anos, sofre de demência (está dependente de nós) e passou em tudo o que era televisão sendo evacuada da sua casa e transportada numa ambulância, mas esqueceram-se, foi de acompanhar toda esta situação!

Apesar de tudo, o que se estava a viver tem de haver pessoas com coração e com sentimentos e que analisem caso a caso as limitações de cada um.

Não é correto, mandarem a minha mãe que precisa da família para tantos quilómetros de distância, quando temos no concelho instituições que podem dar resposta!

Eu procurei o lar do nosso concelho (2 vezes), para que ela pudesse beneficiar de uma cama, ou seja, ficava na minha casa (na garagem, pois tenho escadas) a poucos passos da Santa Casa da Misericórdia de Monchique e a resposta que me foi dada, foi que não tinham e que estava tudo cheio. Ainda insisti que até uma maca servia, mas a resposta foi a mesma!

Face ao exposto e depois de falar neste lar, ainda me dirigi á escola EB 2 3 de Monchique onde falei com os responsáveis por encaminhar as pessoas evacuadas e a solução encontrada foi Vila do Bispo. Tendo eu sugerido o Lar da Santa Casa da Misericórdia, uma vez que fica a 50 metros da minha casa.

Será que encaminhar a minha mãe para Vila do Bispo era solução?!

Não! Não era.

Ela foi transportada num autocarro, que pelo facto de ela não poder andar pelos seus meios, me parece que não terá sido a melhor solução! Foi acompanhada pelo meu pai, com 74 anos.

Vi várias ambulâncias da cruz vermelha, estacionadas junto ao estacionamento da Junta de Freguesia de Monchique, mas se calhar não era solução!

Chegou a Vila do Bispo e viram que ela não tinha condições para ficar num pavilhão e dormir num colchão no chão e aí sim tiveram os cuidados e a preocupação merecida e encaminharam-os para o Lar de Sagres, onde ficaram com as condições merecidas.

Apesar de toda esta situação e dos quilómetros que nos separam e de toda a minha inquietação, estou muito grata ao Sr. Provedor do Lar de Sagres e Vila do Bispo e a toda a equipa, pela forma carinhosa com que trataram os meus pais, bem-haja a toda a equipa e o meu agradecimento.

Será que toda esta resolução não podia ter sido resolvida de outra forma?!

Sexta-feira, dia 10 de agosto, foi o regresso a casa.

Feliz por vê-los, mas ansiosa para ver como regressavam! Pois bem, o regresso foi feito em 2 carrinhas da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo, acompanhados por o Sr. Provedor, a Vice-Provedora, uma Técnica da Segurança Social (Serviço de Seg. Social de Portimão) e um funcionário do Município (contabilidade).

Mais uma vez, a minha inquietação e indignação, não deveria ser os técnicos do concelho a acompanhar as pessoas de regresso a casa?!

Nada disto interessa, data disto conta para a estatística, os sentimentos, as noites sem dormir e todo o nervosismo, nada disto interessa.

No meio desta confusão, estou agradecida. Grata, àquelas pessoas simples e com coração que acolheram os meus pais nestes dias, OBRIGADA.

As evacuações correram bem? Terá tudo corrido bem? Foi um sucesso!

 

Autora: Zita Duarte

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