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Nesta democracia há igualdades de tratamento em que umas são mais iguais que outras.

 

Parece que ficou definitivamente arredada a hipótese de um debate alargado das candidaturas às eleições legislativas que atualmente têm representação parlamentar, a ser transmitido em simultâneo pela RTP, SIC e TVI, conforme proposta conjunta das três televisões.

Foi entendido pelo PSD e pelo CDS que, contrariando o que tem sido usual noutras campanhas eleitorais no que respeita a coligações, a defesa do seu programa único devia der feita, em debate, por dois representantes, um por cada partido que a compõem. Esta posição recebeu o repúdio dos outros partidos, alegadamente por trazer desequilíbrio de critérios, uma vez que o programa da coligação de direita teria dois defensores e os outros apenas um de cada.

À réplica do PSD e do CDS, de que apenas queriam um por partido, responde o PCP que, usando o mesmo juízo, também teria assento no debate a representante de Os Verdes, que integram a coligação da CDU. Assim, ficariam em desvantagem o PS e o Bloco de Esquerda.

Com pouco respeito pelo interesse dos cidadãos, o impasse foi resolvido por Passos Coelho que, qual birra de escola, decidiu que se Paulo Portas não vai, ele também não irá. Nesta democracia há igualdades de tratamento em que umas são mais iguais que outras.

Definitivamente, a impertinência do irrevogável pega-se.

Autor: José M. Silva Furtado