Alferce: Uma freguesia em desenvolvimento

Uma brisa suave sopra pela freguesia do Alferce. O Castelo, a Rota Omíada, a Barragem de Odelouca começam a dar sinais de levante. São muitos os projetos que estão previstos. São muitas as ambições de uma freguesia que, segundo o seu presidente, «está a inverter a tendência de desertificação contando, desde o início do ano de 2016, com a fixação de quatro casais».
Dá a ideia de movimento, de desenterrar o velho para fazer novo. De desvendar o que está escondido. E é isso que se pretende com os recentes protocolos assinados entre a Câmara Municipal de Monchique, os proprietários dos terrenos, a Junta de Freguesia de Alferce e a Universidade do Algarve para exploração e valorização do espaço do castelo. Com vestígios já encontrados das épocas visigótica e árabe, aquele monumento, de que, neste momento, só alguns conseguem descortinar o que lá se passou e quem por lá andou, vai ser valorizado, alvo de estudo e escavações. Num local que possui «certamente o monumento mais importante do concelho e obviamente da freguesia» e que tem a particularidade de estar rodeado pelo povoado «contrariamente a outras zonas históricas do Algarve», José Manuel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de Alferce, afirma que o propósito dos protocolos é «permitir a escavação e o estudo, a valorização e o desenvolvimento, conhecendo um pouco mais da história». Paralelamente a este projeto há ainda a intenção de criar um Centro Interpretativo no Povo de Baixo para que «tanto o castelo, como a freguesia possam ser mais visitados». Os trabalhos vão ser orientados por Fábio Capela, arqueólogo da Câmara Municipal de Monchique, com o apoio científico da Universidade do Algarve.
Há ainda intenção de que o espólio já existente, bem como o que possa vir a ser descoberto, «seja trazido para o Centro Interpretativo», admite José Manuel Gonçalves.

A rota Omíada é outro sopro na área do património
Começada a implantar no final de 2013, esta rota que passa por países como o Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia, Itália, Espanha e Portugal, associa 11 dos 16 concelhos algarvios.
O ano de 2016 é apontado para o arranque da colocação de sinalética e informação, em todos os 14 locais onde tenham sido identificados vestígios da dinastia Omíada, pelo que, recentemente, a Região de Turismo do Algarve lançou uma aplicação para sistemas Android e iOS que possibilita o acesso imediato e em tempo real aos pontos de maior interesse.
Neste momento, o presidente da Junta de Freguesia de Alferce considera «uma mais-valia a nível turístico existir a Rota Omíada», porque «traz muita gente de vários países». O facto do Alferce estar inserido «identifica-o como um dos castelos da montanha sagrada, pretendendo-se, futuramente, fazer um percurso direto da povoação para o castelo e há-de haver, depois, a interligação com Aljezur e com Silves, dentro da própria rota», prevê o autarca.

A Barragem de Odelouca está a levantar algumas gotas do seu espelho de água
José Manuel Gonçalves adiantou ao Jornal de Monchique que «à partida, no primeiro fim de semana de julho se realiza a primeira regata na barragem. Carece ainda de aprovação por parte das Águas do Algarve. No entanto, esta entidade já se «predispôs a apoiar a iniciativa tanto financeira, como logisticamente». «Temos também a confirmação de apoio de entidades privadas e dos municípios de Monchique e Silves », pelo que «o investimento não será problema». Também foi estabelecido um «protocolo com um clube para inscrever a prova no campeonato nacional».
O que se pretende com esta iniciativa é que «seja uma âncora do desenvolvimento da canoagem a nível de espelho de água e que se faça nas duas freguesias participantes, Alferce e São Marcos da Serra, um centro na área da canoagem, sendo encarada esta regata como a rampa de lançamento». Neste primeiro ano a partida far-se-á «junto ao muro da barragem na freguesia de Alferce e a chegada será em São Marcos da Serra. Ano sim, ano não, invertemos o sentido», adianta o autarca. «A intenção é mostrar e valorizar o espelho de água.»
José Manuel Gonçalves esclarece que neste momento «ainda não podemos fazer as inscrições, mas assim que houver abertura podem ser efetuadas nas sedes das juntas de freguesia de Alferce e São Marcos da Serra e do clube organizador.
Apesar do plano de utilização da barragem não ter sido modificado «já reunimos com a Águas do Algarve e com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no sentido de conseguirmos que seja alterado», relembrando que «aquilo que nos foi vendido aquando da execução da barragem é que daria desenvolvimento para as freguesias e que isso simplesmente ainda não aconteceu, mas estamos a trabalhar nesse sentido.»
Realça ainda que «está previsto a nível de Plano Diretor Municipal (PDM) existirem duas zonas âncora de turismo, onde é previsto a construção de um hotel e de um parque de campismo». «Aquilo que esperamos é que existam investidores. O grupo Pestana está interessado com o desenvolvimento, especialmente agora com o protocolo da exposição do lince ibérico na zona», admite. E «está projetado também fazer-se acessos novos ao espelho de água para que seja permitido, acessível e valorizado o bem-estar da população».

Outros ventos estão previstos para o apoio aos mais carenciados na freguesia
Com aprovação da Administração Regional de Saúde (ARS) e da Segurança Social e apenas aguardando a decisão da Câmara Municipal de Monchique e do Conselho Local de Ação Social (CLAS), o Centro de Noite está quase a tornar-se uma realidade. Esta infraestrutura «pretende dar resposta a muitos utentes do Centro de Dia e de Apoio Domiciliário do Alferce que não têm condições habitacionais, nem apoio familiar e que são ainda pessoas auto-suficientes», elucida José Manuel Gonçalves. Estão previstas 10 camas, cinco para o sexo masculino e cinco para o feminino e as instalações serão no atual edifício da Caixa Agrícola que, segundo afirma o autarca, «surgiu a hipótese de o adquirirmos, estando o projeto preparado para esta nova valência e para a continuação do serviço que esta entidade bancária presta um dia por semana».
O Centro de Noite entrará em funcionamento «no espaço de meia dúzia de meses» prevendo-se a sua inauguração «até ao fim do ano». A entidade responsável pela gestão é a Casa do Povo que já emprega catorze pessoas e que passará a empregar mais duas para dar resposta a todos os utentes.
A par desta atividade e de acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Alferce, «aproveitando o que há», nomeadamente «a capacidade que o Centro de Dia tem a nível de cozinha e de instalações» sendo necessário «apenas ampliar a área» há «a ideia de um projeto para a um Centro de Demência».
«É uma carência que existe no sul do país e cada vez existem mais pessoas com dificuldades a nível cognitivo, com doenças como Parkinson, Alzheimer, AVC’s e outras, ficando dependentes de apoio, e criando um grande desgaste aos utentes e a familiares», pelo que a ideia era apostar nessa área uma vez que no Algarve e Sul do Alentejo não existe nada do género». Para além disso, afirma, «somos uma boa freguesia, temos boas condições e pretendemos dar resposta ao próprio concelho que é muito carente nessa área». «Digamos que é uma infraestrutura que já parcialmente existe e queremos desenvolvê-la».
Estas valências de que a freguesia do Alferce se está a dotar «significa desenvolvimento, que é isso que se pretende», conclui José Manuel Gonçalves.