Tunísia 2000

Decidi antecipar os relatos da minha viagem de finalistas à Tunísia, por alturas em que terminava a universidade, por verificar que aquele mesmo local que visitei faz agora quinze anos foi alvo de um ataque terrorista no passado mês de junho.

Como complexo turístico, Port El Kantaoui, foi o destino escolhido para passarmos uma semana descontraída em boa companhia e agradável camaradagem.

Já são ténues as recordações que guardo desta viagem, por já ter passado bastante tempo e por na altura ainda não ter o hábito de levar um pequeno bloco de apontamentos para fazer alguns registos.

Saímos do aeroporto de Madrid e para lá chegar fizemos uma longa viagem de autocarro com partida de Ayamonte.

Chegados ao aeroporto de Monastir constatámos que as malas de alguns de nós estavam extraviadas, tendo seguido para a Alemanha, pelo que só as teríamos no dia seguinte. Se assim fosse, tudo bem, mas visto que de Port El Kantaoui seguíamos para uma viagem pelo deserto, que nos tomaria alguns dias, ficámos impossibilitados de receber as bagagens.

Na viagem que fizemos pelo deserto, mesmo sem bagagens, tudo foi tranquilo. Estava muito calor e só foi necessário comprar um par de t-shirts, uns calções e escova e pasta de dentes. Todos os meus haveres cabiam num singelo saco de plástico.

As paisagens áridas que encontrámos no deserto foram, também, fonte de inspiração para George Lucas, sendo aí rodadas algumas cenas da saga Star Wars.

Como era uma viagem de operador turístico, seguiu connosco um grupo de espanhóis, finalistas da escola secundária que tornou muito mais animada a jornada, face à apatia que as gentes do nosso grupo transportava e que nem pareciam estar de férias, muito menos depois de completar um ciclo académico.

Do nosso grupo, apenas eu e as minhas amigas Cristina e Marisa, confraternizámos realmente com o grupo que nos acompanhava, que era de longe bem mais divertido que o nosso, que o mais que fazia à noite era jogar às cartas.

Numa das últimas noites, depois de jantar, ainda perguntámos se queriam sair, mas a resposta foi negativa, pelo que fomos os três até uma discoteca de um dos hotéis ali próximos, que por sinal tinha muito mau ambiente, mas ainda assim saímos um pouco.

Como o grupo espanhol estava noutro hotel um pouco afastado, na última noite acabei por percorrer alguns quilómetros a pé para ir ter com eles e por lá fiquei, sem nada dizer aos meus colegas, pois creio que ficariam ainda mais preocupados sabendo que estava fora e iriam levantar objeções. Apenas a Cristina e a Marisa sabiam da minha ausência.

Deve ter sido por esta altura que me dei conta de que viajar em grupo não fazia parte das minhas pretensões em futuras aventuras. Foi também nesta ocasião que me tornei cético no que consta a viajar com um operador turístico, já que os horários eram demasiado rígidos e não havia alternativa senão fazer o que estava estipulado e ver apenas o que nos queriam mostrar, sem ter oportunidade de escolha.

É com amargura que constato como um local construído para albergar turistas pode ser destruído de um dia para o outro sem que haja uma catástrofe natural, mas por ação de um simples homem e que se não ficou irremediavelmente arruinado, vai ser muito difícil retornar o que era.

Autor: Luís Baiona

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *