Seniores e medicamentos: como prevenir acidentes

Medicamentos prescritos por um médico ou não sujeitos a prescrição, todos eles carecem de informação e aconselhamento. E há grupos populacionais que devem ser alvo de maiores cuidados, caso das crianças, das grávidas e dos seniores. Tratemos agora só dos seniores, vejamos os cuidados a ter na toma dos medicamentos. Primeiro, há as situações que obrigam a cuidados especiais no uso de medicamentos, sobretudo as associadas à função renal, ao sistema nervoso central e à incapacidade de regular convenientemente as variações da pressão arterial, são situações muito comuns em seniores.

Os cuidados especiais com os seniores na sua relação com os medicamentos baseiam-se no facto destas pessoas já terem uma ou mais doenças crónicas: quanto maior for o número de medicamentos que uma pessoa tome, maior é a probabilidade de surgirem interações entre eles, daí a necessidade de ajustar as doses de modo a evitar reações adversas.

As alterações funcionais que podem ter implicações no efeito do medicamento devem-se nomeadamente ao facto de nos seniores a acidez gástrica ser menor o que pode modificar a absorção de alguns medicamentos. A diminuição dos movimentos intestinais pode também contribuir para uma absorção mais lenta dos medicamentos. Há medicamentos que antes de atuarem sofrem de inativação no fígado ou no intestino, o que implica que a quantidade ativa passe a ser inferior aquela que se toma. Esta inativação pode também ser consequência da redução da massa do fígado e do fluxo sanguíneo deste órgão, situação que é frequente no sénior. Por outro lado, o idoso tem proporcionalmente maior quantidade de gordura em relação à massa muscular o que pode condicionar a acumulação de medicamentos que se ligam mais à gordura. E não devemos esquecer que à medida que a idade progride os rins reduzem gradualmente a sua atividade. Como os medicamentos e os produtos resultantes da sua inativação são eliminados pelos rins, a diminuição da função renal faz com que o medicamento seja acumulado, com probabilidade do aumento do seu efeito ou de maior toxicidade.

Muito mais se pode dizer sobre as particularidades do organismo do idoso e dos riscos envolvidos. O sénior é mais sensível ao efeito sedativo dos medicamentos que atuam no sistema nervoso, pode apresentar sonolência, menor capacidade de concentração e de raciocínio. A doença crónica é um fator determinante para se pedir aconselhamento farmacêutico em colaboração com o médico prescritor. Um só exemplo, o homem a partir dos 50 anos tem tendência para o aumento da próstata, o que obriga a cuidados e evitar mesmo alguns medicamentos que podem aumentar a dificuldade em urinar ou agravar tal doença. Mas também os doentes com glaucoma devem evitar e mesmo não tomar alguns medicamentos.

O sénior é muito atreito a quedas e há alguns medicamentos que podem tornar o sénior mais suscetível. A maioria das hospitalizações em seniores deve-se a quedas. Devemos ter em conta que há medicamentos que afetam a concentração e o equilíbrio ou baixa tensão e daí o risco em cair: é o caso, em lista regressiva, dos antidepressivos, antipsicóticos, soníferos, medicamentos para a tensão arterial, anti-inflamatórios, analgésicos com opiáceos e diuréticos.

A maior percentagem de fraturas da anca sobrevém depois de uma queda e é expressiva a percentagem de doentes que depois de terem sofrido uma fratura da anca morrem menos de um ano após a fratura. Daí a necessidade imperiosa de os seniores, sobretudo enquanto doentes crónicos, considerarem essencial a utilização de comportamentos para reduzir o risco das quedas: reforçar os músculos graças à atividade física, melhora-se sempre o equilíbrio; assegurar uma boa visão, no mínimo ir uma vez por ano ao oftalmologista para confirmar o bom estado dos olhos ou corrigir os problemas (miopia, presbitia, cataratas, etc.); estabelecer regras para se movimentar num meio onde haja segurança, pôr antiderrapantes nos tapetes, fugir do chão encerado, remover tudo aquilo que nos estorve uma boa circulação pelas divisões da casa; manter uma boa iluminação e quando houver escadas subir ou descer com as luzes acesas.

Para complemento deste quadro preventivo, conversar sempre com o médico de família e o farmacêutico sobre quais os cuidados a ter na toma de medicamentos, em todas as situações. Terá uma vida com mais qualidade usando os medicamentos com a necessária segurança.

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