Recuperação das Bandeiras da Misericórdia começa este ano

A exposição de Bandeiras da Misericórdia de Monchique esteve patente na Igreja daquela instituição entre os dias 24 de março e 3 de abril, numa organização da Santa Casa da Misericórdia e Município de Monchique.
Esta mostra, que se realizou no âmbito do ano santo, decretado pelo Papa Francisco como o ano das Misericórdias, conta a história de Jesus Cristo desde a oração no Monte das Oliveiras até à sua caminhada para o Calvário, através de sete painéis, pintados em óleo sobre tela com as dimensões 106 x 86 centímetros e, presumivelmente, datados do século XVIII, no verso dos quais está representando o Anjo da Paixão.
O oitavo painel em exposição reporta à Bandeira Real, é do mesmo período que as anteriores, mas de maiores dimensões (119 x 107 centímetros) e pintado em óleo sobre tela colada na madeira. Apesar de já não sair em procissão desde 1986, aquando da sua substituição, esta bandeira destaca-se pelas duas imagens que aparecem representadas, Nossa Senhora da Misericórdia na parte da frente e Nossa Senhora da Piedade no verso.
De acordo com os organizadores do evento, as bandeiras constituem «um dos mais expressivos símbolos destas ímpares instituições», uma vez que são o «retrato do pensamento, da tradição, da cultura institucional e da inconfundível identidade das Misericórdias portuguesas».
Pela importância que a preservação deste património cultural e religioso representa para o concelho, António Manuel Silva, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Monchique, afirmou, em declarações ao JM, que «pensámos avançar com a recuperação das bandeiras este ano, porque assim teremos a possibilidade de conhecer o ano exato em que as mesmas foram pintadas, bem como o período da Misericórdia, uma vez que também não temos elementos concretos em relação a isso».
Há mais de 40 anos sem serem intervencionadas, as bandeiras da Misericórdia que, «neste momento só saem na procissão do Enterro do Senhor», estão perto de entrar para um «atelier próprio de recuperação de arte sacra, localizado em Braga» mas, admite o responsável pela instituição, «tudo dependerá das nossas disponibilidades monetárias». «Só em junho é que estarei reunido com o Provedor de Braga e será ele quem nos vai indicar a empresa que fará um trabalho de restauro com dignidade, à semelhança de uma outra Misericórdia do Algarve, cujas duas bandeiras recuperadas ficaram ótimas» explica António Manuel, que prevê a realização de «novas exposições, pelo menos durante a Semana Santa».
Neste primeiro ano, a mostra recebeu a visita de muitos estrangeiros, nomeadamente espanhóis, mas também de outras nacionalidades «e até nacionais, que ao passarem pelo Largo da Misericórdia e verem a Igreja aberta, entravam e diziam-nos que tinham gostado», acrescenta o Provedor da Misericórdia. Outra das suas intenções é «fazer uma exposição permanente das bandeiras e de outro espólio associado à Misericórdia que não está a público, que irá funcionar no salão onde está instalado o centro de dia, mas primeiro é necessário efetuar a transferência desta valência para o lar de idosos, e isso ainda não sabemos se é daqui a um, dois ou três anos…», conclui.

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