Qual a melhor dieta para perder peso? Existem provas científicas?

A obesidade mantém-se como um dos principais factores de mortalidade e morbilidade no mundo ocidental, tendo vindo progressivamente a afectar também os países em vias de desenvolvimento. Desta forma, a comunidade científica tem mantido significativo investimento com o objectivo de compreender a obesidade e consequentemente melhorar as abordagens terapêuticas.

Uma das mais óbvias abordagens ao problema da obesidade é naturalmente através de dietas. Existem muitas teorias dietéticas com fundamentos teóricos subjacentes mais e menos credíveis. Entre as quais, as mais significativas recentemente são:

1 – Dieta de Atkins: Pretende controlar os níveis de Insulina através da diminuição do aporte de hidratos de carbono, e desta forma reduzir o armazenamento de energia através da lipogénese. Advoga o consumo livre de proteínas e gorduras, e a evicção de hidratos de carbono.

2 – Dieta cetogénica: Mantendo-se como tratamento de última linha da epilepsia refractária, tem sido recentemente advogada como dieta para perda ponderal. Advoga a maximização do consumo de gorduras, tentando excluir totalmente os hidratos de carbono da alimentação. O racional teórico é semelhante ao da Dieta de Atkins.

3 – Dieta de South Beach: Desenvolvida por um Cardiologista em discordância com os conselhos de Associação Americana de Cardiologia que nos anos 90 aconselhava consumo de hidratos de carbono em detrimento das gorduras, a dieta de South Beach defende o consumo de hidratos de carbono não refinados, ou seja, os hidratos de carbono com índice glicémico baixo. O fundamento teórico desta dieta também se relaciona com evicção de picos de Insulina.

4 – Dieta crua: Pretende-se que a maior parte da dieta seja com alimentos não processados e não cozinhados, e de preferência orgânicos. Os apoiantes desta dieta defendem que o valor nutricional dos alimentos é destruído através da cocção. Apesar dos principais objectivos desta dieta não se relacionarem com a perda de peso, a redução ponderal acaba por ser uma realidade. É importante referir que os riscos infeciosos associados à alimentação crua são reais e potencialmente muito graves.

5 – Dieta vegetariana: Os vegetarianos estritos não consomem carne nem qualquer produto derivado animal. Alguns estudos científicos recentes têm demonstrado vantagens para a saúde, como a diminuição de peso corporal, menor morbilidade associada e maior longevidade.

6 – Dieta da Zona: Baseia-se na redução de aporte de hidratos de carbono e consumo abundante de ácidos gordos Ómega-3 e Polifenóis. Existe o objectivo de estar na “The zone” antes de cada refeição, que significa estar sem fome e de mente “limpa”. Defendem que esta dieta reduz a actividade inflamatória do organismo.

7 – Dieta paleolítica: Baseada na teoria de que os genes humanos modernos resultam da evolução ao longo de milhões de anos, antes da introdução da agricultura. Baseia-se na ingestão de alimentos que podiam ser recolhidas no meio-ambiente, incluindo carne, ovos, legumes, sementes, açúcares naturais, entre muitos outros. Naturalmente, exclui alimentos processados e açúcares refinados, mas permite a cocção.

Estes são apenas alguns exemplos das dietas mais populares dos últimos anos… Existem muitas teorias sobre qual a melhor dieta, com diferentes fundamentos teóricos, existindo razoabilidade na maior parte deles, não sendo obrigatoriamente mutuamente exclusivos.

Sendo difícil atrair investimento para estudos comparativos com valor de evidência científica alta, não existem provas do benefício de alguma destas dietas sobre as outras, embora exista evidência de que as restrições alimentares excessivas sejam potencialmente perigosas.

Recentemente, ciente de que o estudo das dietas pode representar um alicerce essencial para o combate à obesidade, a National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases,(NIH, USA) concedeu uma bolsa com o objectivo de comparar uma dieta “equilibrada, com baixo teor em gorduras” com outra dieta “equilibrada, com baixo teor em hidratos de carbono”, tendo acompanhado 609 indivíduos durante 1 ano. Os indivíduos estudados apresentavam no início do estudo um Índice de Massa Corporal de 33 (Normal= 18-25), traduzindo uma população estudada obesa.

Adicionalmente, foram constituídos subgrupos com padrões genotípicos diferentes, baseados em 3 genes (PPARG, ADRB2 and FABP2) relevantes no metabolismo das gorduras e hidratos de carbono, com o objectivo de destacar vantagem de uma das dietas num dos padrões genotípicos estudados.

Infelizmente, o estudo concluiu que não existe diferença significativa na alteração de peso entre os dois tipos de dieta, e que esta conclusão era extensível aos subgrupos genotípicos.

É importante referir que qualquer um dos grupos de dieta ou subgrupos genótipos obteve uma perda ponderal de 6 Kg, sugerindo que a dieta “equilibrada” é vantajosa, independentemente da proporção de nutrientes.

Tendo em consideração a pobreza de estudos científicos de qualidade nesta matéria, foi um desapontamento a ausência de resultado positivo, tendo vindo apenas reforçar a ideia de que a restrição de determinado tipo de nutriente não é obrigatoriamente uma vantagem.
No entanto, torna-se novamente evidente que uma alimentação equilibrada com poucos alimentos processados e com aporte calórico limitado poderá ser a melhor forma de manter um peso saudável e de reduzir a morbilidade associada à obesidade.

O MEU CONSELHO MÉDICO:
– Limite o aporte calórico!
– Pelo menos metade da refeição deverá ser constituída por vegetais (crus ou cozinhados).
– Rejeite alimentos processados e pré-cozinhados. As suas listas de ingredientes são intermináveis, e a maioria não tem qualquer valor nutricional.

 

* Professor universitário – Nova Medical School | FCM- Universidade Nova de Lisboa

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