Os Condecorados

Agora são às dezenas de cada vez, os condecorados pelo Presidente da República. Os feitos assim o justificam, para orgulho dos portugueses. Foi no futebol, foi no hóquei em patins, foi no atletismo, foi na canoagem… Campeõõões, campeeeõõões.

Se isto continua, não há medalhas que cheguem. E ainda faltam os jogos olímpicos. O melhor é começarem a poupar nas outras “modalidades”, como na política, nas atividades económicas, nos amigos, nos serviçais… Por tudo e por nada lá vai uma medalha, nalguns casos até ficamos com a cara à banda, como aquele do costureiro duma primeira-dama. Outras situações acabam por se revelar de razões infundadas, de que é exemplo a do diretor do Museu da Presidência que supostamente se teria apropriado de peças pertencentes ao Estado e que estariam à sua guarda, ou do gestor considerado o suprassumo da administração, mas que não se livra da responsabilidade da destruição da PT, alegadamente usando manobras financeiras em benefício próprio ou de grupo, lesando os portugueses e a economia nacional. Só aquelas negociatas com o BES e com a Oi, ui, ui.

Estas indevidas atribuições honoríficas são ofensivas para todos os cidadãos honestos e principalmente para aqueles que as receberam merecidamente e não lhes são comparáveis em ética e dignidade. Para reposição da nobreza deste tipo de distinção e da verdade, devia ser-lhes feito, a estes desonestos, o que se faz aos medalhados no desporto depois de se descobrir que se doparam: retirar-lhes o título e caçar-lhes a medalha. A única medalha a que teriam direito é aquela que depreciativamente assim é chamada quando se deixa cair uma nódoa na camisa, pois esses condecorados não passam de autênticas nódoas da sociedade.

Porém, há ainda outros condecorados, porventura mais importantes, que em vez de medalhas e colares, são premiados com lugares de destaque. É como o Durão Barroso que pelo belo serviço prestado na Comissão Europeia, onde a solidariedade entre os diversos povos deu lugar à sobranceria dos mais fortes e mais ricos, foi agraciado com a presidência da poderosa Goldman Sachs, grupo financeiro que não se livra das acusações de estar envolvido na origem de várias crises financeiras que abalaram a Europa e o Mundo. O mesmo Durão que também já tinha sido premiado pela participação na fase preparatória para a invasão ao Iraque por causa de armas de destruição massiva, que afinal não existiam.

Vivam os campeões. Viva Portugal.

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