Os Acusados

Só de uma assentada, são quase trinta os acusados da Operação Marquês, que envolve desde políticos a empresários e até um banqueiro de quem se dizia ser dono disto tudo e que, dado o processo de investigação ter recebido o título de Marquês, bem poderia ser Duque. O Marquês, propriamente dito, no exercício das funções de primeiro-ministro, teria recebido do Duque, seu superior nobiliárquico, uns alegados milhões em troca de algumas chorudas benesses. Aqui se comprova, mais uma vez, a ascendência do capital sobre a política.

Mas a reinação não se fica por aqui. Outros titulares parecem ter participado nela desabridamente: o Conde da Barroca e o Conde da Silva, ligados às obras civis da casa real, ajudaram, segundo se diz, no disfarce do trânsito do dinheiro, acabando por cobrar, naturalmente, pelo préstimo. Também aparecem no rol os viscondes que tinham gerido o serviço das comunicações do reino, conhecido pela sigla PT, tão bravamente que lhes seriam pregadas no peito honrosas comendas. Porém, teria sido a mala posta a bom recato, recheada de ricas e criativas ações.

A nobreza dos atos em proveito próprio estende-se por barões de vara e outros lordes, que se passeiam garbosamente por aí, desde Paris a Vale do Lobo, caindo as culpas até na perna do cocheiro.

Uma verdadeira obra de arte em que sobressai a lixiviação, que é como quem diz, o branqueamento do grande saco azul do GES e do respetivo esvaziamento. Merecia um óscar, como o de melhor atriz atribuído a Jodie Foster em Os Acusados de Kaplan.

Mas é capaz de resultar em condenação, a cada um, que qualquer acusado é inocente até prova em contrário, se não apanhar um acórdão com base em leis arcaicas e citações bíblicas das que praticamente ilibem agressores de mulheres adúlteras. Há tanta gente que, pelas culpas que carrega, não é capaz de atirar a primeira pedra…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *