O tempo

Quando faz sol, quando não chove, diz-se que está bom tempo. E quando o sol e a temperatura nos chamam para a praia, diz-se que é tempo de Algarve. Se a isto se juntarem as férias, fica o Algarve a abarrotar, como agora.

Mas não será que a chuva não pode ser também bom tempo? Em tempo de seca até se fazem procissões, à moda de outras civilizações que faziam danças da chuva dirigidas aos seus deuses.

Portanto, um determinado tempo pode ser bom ou mau, conforme as circunstâncias. Tudo é relativo. Visto isso, Einstein criou a teoria da relatividade, conjugando o tempo com o espaço. E depois acabou por aperfeiçoá-la ao considerar ainda a influência da gravidade. Efetivamente, na gravidez, o tempo em que ela acontece também pode ser bom ou mau. Também é relativo: depende se o pai da criança é o marido ou outro. E para descobrir a coisa, isto é, quando a coisa aconteceu, é só fazer as contas, fazendo a contagem do tempo. Conta-se em dias, mas normalmente em semanas. Há quem, desde o Paleolítico, meça os períodos de tempo em luas.

A partir do Neolítico, por necessidade de conhecer a periodicidade das migrações da caça e do tempo ideal para cultivo, com base na observação dos astros foi desenvolvida a astronomia, usando a repetição das suas posições relativas para a medição do tempo.

Agora, nos tempos que correm, a contagem do tempo ganha outro interesse, pois dela deriva o valor da reforma (mesmo com os cortes que lhe deram). Mas o tempo para a reforma e ela própria mudam com os tempos, com as modas económicas e com as vontades dos partidos. Muitas vezes influenciados pelos períodos eleitorais.

Quem trabalha, pressionado pela avidez das economias, não tem tempo para nada, enquanto os reformados têm todo o tempo do mundo. Os desempregados, esses, correm atrás do tempo, a ver se combatem ou evitam a fome e a doença.

A relatividade do tempo, que também aqui surge, é ainda bastante influenciada pela ansiedade de cada um. O mesmo tempo pode ser sentido como muito longo para uns, enquanto para outros pode ser irrelevante. Que o diga quem está em Évora, ou em qualquer outro estabelecimento, à espera que passe o tempo.

 

Por M.A. Chão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *