«O Pião e a Bola»: Dois finais felizes

«O Pião e a Bola» é uma das várias histórias de encantar que o tempo trouxe de longe e que Alice Vieira reescreveu e compilou na obra Contos de Andersen para Crianças sem Medo.

Neste conto, o Pião e a Bola viviam juntos numa caixa de brinquedos de um menino. Certo dia, o menino tirou a Bola do caixote e começou a lançá-la ao ar, mas, à décima vez, a Bola não voltou à terra, deixando o Pião inconsolável.

Que terá acontecido à Bola?

Convidados a imaginar o final desta história, a Anita Medronho e o Dinis Messias, que frequentavam o 3.º ano na Escola EB 1 N.º 2 (S. Roque), produziram dois desfechos felizes e muito criativos.

Texto 1
A Bola foi parar ao espaço porque o Tiago dava muito balanço e fazia muita força.
Lá no espaço, ele encontrou muitos bichinhos, tais como formigas com antenas e asas, pepinos do espaço, extraterrestres, e, lá no cimo de Júpiter, um laboratório do Professor Manuel Noites.
A Bola começou a dizer:
– Eu quero ir ver o que está lá dentro!
Então, desse laboratório saiu o Professor Manuel e disse:
– Quem é que está a gritar?
– Sou eu, a senhora Bola.
– Podes entrar pelo buraco dos gatos! – exclamou o Professor.
– Como se chama, meu caro senhor? – perguntou a Bola?
– Chamo-me Professor Manuel, mas podes tratar-me por Manuel.
– Como te chamas, Bola? – perguntou o Manuel.
– Chamo-me Maria João – disse a Bola.
Como já estava a ficar tarde, a Bola pediu ao Manuel para lhe construir um foguetão.
– Manuel, podes fazer-me um foguetão?
– Claro que posso – respondeu o Professor.
– Obrigada.
– De nada, Maria João.
Então, construiu o foguetão e pôs a Bola dentro dele e ela lá foi pelos ares a voar e, ao mesmo tempo, a saltar.
Foi uma viagem muito longa. A viagem demorou três dias e três noites.
Quando a Bola aterrou de foguetão no quarto do Tiago, ele ficou maravilhado e feliz, mas quem ficou entusiasmado foi o Pião.
Viveram felizes, contentes e maravilhados o resto das suas eternas e belíssimas vidas e a Bola nunca mais desapareceu daquela enorme casa.

Anita Medronho do Carmo

Texto 2
O Pião, quando soube que a Bola tinha desaparecido, foi tentar encontrá-la. Procurou-a por todo o lado, mas não a encontrou.
No dia seguinte, só lhe faltava um sítio onde procurar: era no bosque ao lado da casa.
Então, ele entrou no bosque e encontrou um pardal e perguntou-lhe:
– Não viu por aqui nenhuma bola?
– Vi – respondeu o pardal.
E o Pião perguntou:
– Para onde é que ela foi?
– Ela foi para o fundo do bosque – respondeu o pardal.
E o Pião disse:
– Obrigado.
E seguiu o seu caminho.
Ele caminhou mais um bocado e encontrou uma toupeira e perguntou:
– Viste por aqui alguma bola?
– Sim – respondeu a toupeira.
– Para onde é que ela foi? – perguntou o Pião.
– Ela ainda foi mais para o fundo do bosque – respondeu a toupeira.
– Obrigado – disse o Pião.
Então, o Pião seguiu o seu caminho à procura da Bola, até que a encontrou perdida no bosque, levou-a para casa e perguntou-lhe:
– E agora, já queres casar comigo?
– Sim – respondeu a Bola.
Então, casaram-se e, quando o menino descobriu que a Bola tinha voltado, brincou com ela com muito cuidado.

Dinis Messias

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