O Nostálico

Corria o ano de 1999, ano em que se dizia que o mundo podia acabar.

Em Portugal ainda vivíamos o pós-Expo98 em Lisboa, e a inauguração da Ponte Vasco da Gama com a sua feijoada para milhares de pessoas. Na política, António Guterres conseguia uma quase maioria absoluta, ficando apenas a um deputado de tal feito para o PS, que mais tarde conseguiria resolver com o designado caso do “deputado do queijo” de Ponte de Lima. Na nossa terra Monchique, a autarquia era liderada pelo Presidente Carlos Tuta com total maioria, uma vez que o resultado das últimas eleições autárquicas tinha sido de 4-1.

No mundo, os olhos viravam-se para a mais do que merecida independência de Timor-Leste (abraço, grande amigo Rui Rosa), e para as consequências das brincadeiras do presidente do Estados Unidos, Bill Clinton, na sala oval da Casa Branca.

No futebol, depois da seleção Nacional ter sido completamente penalizada por um senhor árbitro francês, de seu nome Batta, que resolveu expulsar o melhor jogador do mundo à época, na minha opinião, o Rui Costa, príncipe de Florença, num jogo de apuramento para o Mundial 98 em França, ganho pela França, ou seja pelo Zidane, ainda os benfiquistas sofriam com o Vale de Azevedo, aparece um período dominado pelo Sporting e pelo Boavista. O Sporting dos tempos de Beto Acosta, que felizmente meteu o Mauzinho Santos em ordem, do André Cruz e do Inácio, e mais tarde do Jardel, João Pinto (que deixou de ser o menino de ouro da Luz por mais uma aldrabice do Vale e Azevedo, em quem, graças a Deus, nunca votei!) e do treinador Boloni, que “descobriu” aquele que hoje em dia é o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo.

No dia-a-dia no velhinho balcão do Montepio no Barreiro aprendia muito daquilo que se deve, e não se deve fazer em termos de gestão de equipas. Durante o período em que estive no Montepio, como 1.º trabalho, ganhei amigos para a vida, como o beirão Alexandre Sá, com quem fiquei a conhecer melhor Viseu e as suas exageradas rotundas, algumas delas com mamarrachos no meio, com pouca visibilidade para os automobilistas. Creio que hoje em dia, algumas delas já sofreram modificações, adaptando-se às necessidades pragmáticas de quem circula na via pública. Com o meu amigo Rui Afonso fiquei a conhecer melhor Idanha, e as ideias concretizadas de se realizarem concertos na velhinha Sé nessa linda aldeia histórica. Em conjunto com o Diogo Freire, constituíam estes três elementos, e outros mais, a ala sportinguista do Montepio no departamento regional de Almada/Barreiro. Sorte a minha que tinha do meu lado o grande benfiquista Vicente Guerreiro, velho marinheiro nascido em Castro Verde, que exceção feita às suas convicções vindas da Quinta da Atalaia, trazia para este grupo o saber e a malícia bem medida, que tantas vezes nos ajudaram na solução de tantas questões profissionais, e não só.
No final da década de 90 surgiram nas principais empresas Portuguesas novos desafios, a maioria relacionados com a crescente importância da informática nas organizações.

Longe iam os tempos do velhinho “ZX Spectrum” dos anos 80!

Nesta fase o e-mail começou a liderar a forma de comunicação entre os diversos departamentos nas empresas, e devido à integração de vários processos de trabalho por motivos de informatização, as organizações sentiram grandes necessidades ao nível de quadros consultores para a realização de processos de levantamento de tarefas, propostas de melhoria e processos de aplicação das mesmas. Iniciava-se em grande escala o recurso a equipas de “outsourcing”, com conhecimentos de gestão, na sua maioria associadas às então “big five”, hoje em dia, na sua maioria, empresas falidas, como a gigante da época “Arthur Andersen”.

Foi assim que num jantar de antigos colegas universitários na Cervejaria Edmundo – “A melhor cervejaria do mundo”, surgiu a hipótese de abraçar um novo desafio profissional. A par com uma das maiores decisões da minha vida, o casamento, faziam do final do século XX, e em particular do ano de 1999, um carrocel completo na minha vida. Mas, sobre as “estórias” do período na Caixa Geral de Depósitos logo falarei na próxima edição.

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