O Nostálico

De regresso aos temas que me fizeram aceitar escrever mais umas edições deste espaço, “estórias” passadas em ambientes profissionais, deixo Almada em 1998, e sou nomeado sub-gerente do balcão do Montepio no Barreiro. Concluido o curso de chefias do Montepio com 26 anos, sou convidado a regressar à margem norte do Tejo, mais precisamente para desempenhar as novas funções no balcão de Alhandra. Quem não gostou da novidade foi o meu grande diretor regional, Dr. Horácio Pissarra, que me chamou ao departamento regional para me comunicar o seguinte: “Amigo algarvio, preciso de si no balcão do Barreiro! Eles vão aceitá-lo bem. Estou certo disso.” Não achei muita piada porque se tratava do maior balcão da margem sul, e era conhecido por ser composto por muitos colaboradores antigos na instituição. No entanto, decidi aceitar o repto, e lá fui eu fazer mais uns kilómetros todos os dias entre Benfica e o Barreiro.

O balcão ficava na avenida Alfredo da Silva, grande industrial português, mais conhecido pela constituição da CUF e na sua implantação no Barreiro. Os primeiros dias foram complicados no balcão, porque alguém com 26 anos liderar uma equipa de cerca de 16 pessoas com uma média de idades entre os 45 e os 55 anos não seria muito normal. Lembro-me principalmente de um momento em que um desses colaboradores virou-se para mim e disse: “Desculpe, mas eu já estou cá há muitos anos e sempre fiz assim!”.

A minha resposta foi simples: “Tem razão! Eu só cá estou há 3 anos, e nesta função há um par de semanas mas, ainda assim, parece-me que a sua decisão não é a mais correta. Mas tudo bem, fazemos como diz. Tem de prometer-me uma coisa: se eu tiver razão, vai sempre levar em conta a minha decisão, até que um dia esteja errado.

E, obviamente que encontraremos a melhor solução, trabalhando em equipa!” Tive razão, e deste episódio apenas me recordo de ter ganho não só um verdadeiro colaborador, como também um amigo. Tal como tinha sucedido em Almada, também no Barreiro ficaram grandes amigos do Montepio, a quem ainda devo uma caracolada.

É impossível não falar de episódios vividos no balcão do Montepio no Barreiro, sem fazer uma pequena homenagem a um cliente especial. Em Almada já tinha tido como clientes o baterista dos Xutos, Kalú, a actriz Sofia Alves e a actual jornalista na SIC, Joana Latino, tendo sido o responsável pela assinatura da escritura de venda da sua casa. Também no Barreiro estive numa escritura que tinha como inteveniente o magriço de 66 José Augusto. Mas o cliente especial que fiz referência foi o grande guarda-redes do Glorioso SLB e da seleção Nacional, Manuel Galrrinho Bento. Grande homem com uma simpatia sem igual. Infelizmente, deixou-nos cedo de mais.

Para terminar, uma pequena referência a Monchique e à feira dos enchidos e ao festival das camélias deste ano que já fazem parte do passado. Falta este ano a realização da feira do presunto, do festival do medronho, da feira das hortas, etc. etc.

Também temos o festival internacional das camélias na Lousada, o festival do cogumelo e do medronho em Almodovar, a feira do presunto e dos enchidos de Barrancos, a feira do porco alentejano em Ourique, e neste último tive a possibilidade de estar presente este ano, destacando a diversidade de produtos expostos, queijos, vinhos, azeite, produtos horticolas, veículos, nunca minimizando o produto chave, o porco. E além disso, a sempre saudada presença de dois produtores de enchidos de Monchique!

O povo gosta de festas, feiras, festivais, e além disso trazem sempre muitos visitantes a estes certames. Começa a ficar, no entanto, complicado fazer algo de original que, de facto, faça a diferença. E a Lousada, Almodovar, Barrancos e Ourique, para não referir outros concelhos, têm efetivamente de, também eles, serem originais…

Monchique nunca se poderá livrar do convento, porque lá continua ele a olhar para a nossa terra com um ar altivo, talvez pensando: “Para quando olharem para mim com outros olhos?”

Eu apostaria num festival tipo “Conventofest” (ou “Mont Conventofest”…) e este edificio ainda em pé, seria o tema central de uma festa que envolveria todo o centro histórico de uma bonita vila. Apesar de talvez até este já não seja assim tão original… temos sempre o convento!

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