O Nostálico

Não posso iniciar o Nostálico deste mês sem fazer referência ao evento maior, ao evento rei, ao evento dos eventos da nossa santa terrinha! Santa terrinha? Não! Santa terrinha faz-me lembrar Santa Comba Dão, prefiro antes fazer referência à bonita e majestosa vila de Monchique. Assim, regressando ao evento dos eventos, aproxima-se a Feira dos Enchidos de 2018! Na bonita e majestosa vila de Monchique. E já são as bodas de prata da Feira dos Enchidos, ou seja a 25.ª edição do evento na tenda no heliporto. Que seja um certame com muitos visitantes, e que todos eles levem para casa os enchidos, a aguardente de medronho, os doces, o artesanato e outros produtos únicos do nosso concelho. Depois, parece que vamos ter a televisão no 2.º dia, e decerto que não faltarão artistas populares para deliciar os visitantes do certame.

Tal como já tinha referido no número anterior, o período no final da década de 90 vivido nos balcões do Montepio em Almada e Laranjeiro foi pródigo em histórias e momentos inesquecíveis para quem dava início a um percurso profissional. O conceito de trabalho de equipa foi totalmente adquirido neste período, porque existia um espírito de equipa muito bom, um ambiente sem igual e da parte da liderança surgiam comentários como: «Não nos podemos dar ao luxo de ter uma equipa de luxo!»

Vivia-se um período em que o crédito à habitação, à construção e a particulares sofria um boom sem igual. Nesta fase, muitos processos de crédito foram considerados diferidos porque o mercado assim o exigia, e a pressão para atingir números record era constante. Apareceram nesta fase as chamadas mediadoras, mais tarde designadas como agências imobiliárias, e muitas fortunas foram iniciadas a partir desses negócios. Pelo menos no que diz respeito à margem sul do Tejo. Relembro que inclusivamente a transferência/fuga mediática do jogador Paulo Sousa do Benfica para o Sporting, teve origem na casa de um «mediador» de Almada…

O momento mais delicado vivido neste período foi um assalto ao balcão do Montepio em Almada. À data, salvo erro em 1997, estava eu numa área do back-office do balcão, responsável pela área do crédito, e apenas dei conta de gritos e barulhos estranhos que vinham do front-office. Os assaltantes tinham armas, verdadeiras, e ameaçaram os meus colegas. Um deles, o grande Vicente Guerreiro, ao chegar ao balcão vindo da zona do cofre, localizado na cave, confrontado por um assaltante que lhe apontava a arma e o questionava se ele tinha telefonado para a polícia, respondia quase a gaguejar: «Eeeu nnããooo tetetelefonei para a polícia». Embora tenha sido um momento de terror, este episódio fez-me rir, até porque a seguir à saída atabalhoada dos assaltantes, o colega Armando Pereira vingou-se do Vicente comentando: «Vicente, já vi mortos com melhor cor do que tu!». A referida vingança estava relacionada com as constantes brincadeiras do Vicente em relação à quantidade de cafés que o Pereira bebia, levando-o muitas vezes a dizer que o melhor seria ligar uma mangueira entre o balcão e a pastelaria para que não lhe faltasse café. Também nesta fase foi bastante educativo o momento em que decidi apoiar um empreendedor que queria abrir uma cervejaria na Trafaria, entregando para isso a sua própria casa como hipoteca. O conhecimento que esse cliente tinha do ramo, a paixão pela sua terra, não santa terrinha, a Trafaria, e a força que demonstrava, mereceram o deferimento desse financiamento, e é importante ter conhecimento que ainda hoje essa casa é uma referência da oferta na restauração da Trafaria, com uma vista sem igual de Lisboa.

Foi um período inesquecível, onde ainda hoje as amizades perduram, e pena é que a quantidade de sportinguistas era demasiado elevada, esperando eu que hoje em dia não sejam devotos seguidores do atual presidente do Sporting, porque corro o risco de eles não terem autorização para ler este artigo…
No próximo Nostálico vou ainda dar sequência a algumas histórias vividas no Montepio, porque o Barreiro, essa linda localidade, não pode deixar de ser referenciada neste espaço.

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