O Nostálico

Dando sequência à ideia transmitida na última edição deste espaço, dou inicio a um conjunto de textos sobre algumas histórias vividas em ambiente profissional desde 1995.

Depois de um mês de formação no edifício do Montepio Geral na Avenida da Liberdade, tenho conhecimento da minha colocação no balcão de Almada!

Inicia-se um período complicado de gestão pessoal e profissional, com a alteração da matricula na universidade para o período noturno, e uma série infindável de viagens que apenas terminaram em abril de 1996 quando decidi adquirir o meu primeiro automóvel.

Vivia em Benfica, junto à cervejaria Edmundo, “A melhor cervejaria do Mundo”, e era numa das muitas paragens de autocarro na estrada de Benfica que apanhava o autocarro n.º 46 da Carris até à Praça do Comércio, por muitos conhecida como Terreiro do Paço. Neste local apanhava o cacilheiro até Cacilhas, e durante a travessia do rio Tejo lembrava-me muitas vezes do fado cantado pelo fadista Rodrigo, com referência ao velho cacilheiro. Surpreendia-me a quantidade de pessoas que faziam esta travessia ao contrário, de Cacilhas para Lisboa, e a forma assustadora como muitos saiam do cacilheiro, ainda não totalmente atracado, para terra. Em Cacilhas, seguia para Almada num autocarro dos TST. O balcão do Montepio, na Rua Padre António Vieira, ficava junto ao já extinto “mercado dos ciganos”, e tinha um fluxo de clientes impressionante. No final do dia, fazia um percurso diferente, porque apanhava um autocarro em Almada para Lisboa, junto ao ISCAL, para mais um período de aulas noturno. Quando passei a fazer estas viagens de automóvel, tinha a mais-valia de andar sempre no sentido contrário ao maior fluxo de trânsito. E de passar diariamente a ponte 25 de Abril, que não deve ter no mundo nenhuma outra ponte igual, no que diz respeito à espetacular paisagem que se pode ver da mesma, sobre a capital de Portugal, sobre a foz do rio Tejo e sobre as escarpas na margem sul. Talvez apenas a sua ponte “gémea” em São Francisco.

No balcão do Montepio, em Almada, aprendi principalmente que o cliente está sempre em primeiro, não que tenha sempre razão, e que para estar em primeiro, temos de ser melhores do que a concorrência. Primeiro e Melhor? Isto faz-me lembra algo… Portanto, temos de ser melhores!

O meu primeiro gerente era um sportinguista ferrenho, mas com ele aprendi alguns ensinamentos que ainda hoje perduram. Principalmente ao nível da importância do trabalho de equipa, e da motivação que tem de ser transmitida aos colaboradores. Se fosse necessário, era ele o primeiro a arregaçar as mangas, e isso fazia dele um gerente melhor do que os outros.

Mas sobre alguns episódios vividos entre 1995 e 1998 no balcão do Montepio, em Almada, terei oportunidade de me debruçar sobre eles na próxima edição, incluindo o assalto que fomos vitimas, e uma série de peripécias associado ao mesmo, realizado por um gang da margem sul do Tejo.

Para terminar, não posso deixar de dar os parabéns aos meus amigos sportinguistas pela conquista da Taça da Liga (antes taça dos bêbados para esses adeptos), relembrando que o Glorioso já leva 7 Taças da Liga. Ainda assim, algo não muito vulgar, o Sporting tem uma taça, o Benfica tem 7 taças e o Porto não tem nenhuma…

Em Monchique tudo igual, para o melhor e para o pior, em Portugal temos agora um Rio que vai dar à Costa, e no mundo as atenções viram-se para personagens antagónicos mas referenciados pelos piores motivos, Trump e Lula. Se o nosso cão não se chamasse Ozzy, aqui estão dois nomes em condições para atribuir ao melhor amigo do homem.

Até ao próximo Nostálico, com votos de um melhor ano de 2018 para todos os leitores e amigos do Jornal de Monchique.

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