O Nostálico

Depois de uma passagem por Lisboa no último Nostálico, vou agora viajar pela Atalaia.

A Atalaia é uma aldeia do concelho do Montijo, localizada próxima de Alcochete, e no caminho para Pegões. Descobri esta aldeia em 1999, e por ali fiquei até ter decidido este ano regressar ao Algarve. Embora tenha casado na Igreja Matriz de Monchique, e ter baptizado a minha filha mais velha na capela das Caldas de Monchique, foi no santuário da Nossa Senhora da Atalaia que baptizei as minha filhas gémeas, e onde todas elas fizeram a 1ªcatequese.

Na Atalaia ainda existem pormenores do antigamente que perdurarão na minha memória. De manhã recebemos às nossas portas o pão quente da padaria, e aos sábados de manhã temos peixe fresco à porta vindo de Sesimbra ou de Setúbal.

Existem alguns pontos de encontro na Atalaia, sendo os espaços da Sociedade Recreativa Atalaiense e do Rancho Folclórico da Atalaia os mais procurados. A poucos quilómetros da Atalaia fica o centro de estágio do Sporting, sendo frequentes encontros casuais com alguns dos jogadores do 2º maior clube de Portugal e de Lisboa nas pastelarias e restaurantes da ainda minha aldeia. Também se pode por vezes encontrar o treinador Jorge Jesus que ainda assim tem alguma dificuldade em encontrar algum Atalaiense que fale o seu dialecto…

Por falar em futebol, e pedindo desde já desculpa a alguns amigos que não entendem porque misturo neste espaço assuntos de futebol com outros de natureza diferente, mas é mesmo assim, é o Nostálico! Falando de futebol, presumo que a próxima época ainda vai ser mais animada porque quer o clube das Antas e da fruta do Porto, quer o clube dos Viscondes, precisam de vencer um campeonato, mas algo me diz que se aproxima o penta…

Voltando à Atalaia, tem-se verificado nos últimos anos um forte desenvolvimento deste local. O meu amigo Luis Morais, presidente da Junta de Freguesia, com o apoio da Câmara do Montijo, tem apresentado obra e ideias que contribuíram para o referido desenvolvimento. Já existiam as festas da Atalaia em Agosto, mas o aproveitamento ainda maior do centro da Aldeia para receber visitantes, com a mostra de produtos locais, e o acolhimento dos chamados cirios que possuem estruturas em condições para receber os locais e visitantes, mostrou-se um fator de crescimento e de procura da Atalaia por parte de mais gente. E verificou-se também um aumento de emprego e crescimento populacional. Ora aqui estão duas “ideias”, reabilitação e aproveitamento do centro histórico, e estruturas/edifícios com dignidade para organizar os mais diversos eventos, e principalmente para melhor receber quem os visita. A abertura do museu agrícola da Atalaia e a existência de um espaço público onde se podem fazer piqueniques, onde se pratica o caravanismo, o campismo, desportos radicais, onde se pode ver a flora e fauna locais também podem ser adicionados aos dois anteriores…

A Atalaia está num “cruzamento” entre diversas localidades, pequenas regiões, cada uma delas com as suas especificidades, mas é notório o bom relacionamento e o consequente envolvimento de cada uma das freguesias e/ou concelhos nos diversos eventos. Para interior temos Pegões e Vendas Novas com o seu vinho bem característico e as famosas bifanas. Junto ao Tejo temos o Montijo com as suas flores e Alcochete com as suas fogaças, doce típico da terra. Para oeste temos Sarilhos Grandes com as enguias e as lamejinhas. E para oeste/sul temos Setúbal com o seu choco frito, o moscatel de Palmela e as tortas de Azeitão. Nada é comparável e tudo é comparável, e em Monchique, sem especificar por agora o que quer que seja, também existe um “cruzamento”! Monchique fica na fronteira entre o Algarve e o Alentejo (Numa das primeiras edições deste espaço já falava na nossa “Route 66”). Temos a costa mediterrânica a sul, e a costa vicentina/alentejana a oeste. No trabalho que venho desenvolvendo numa multinacional, como importador, cada vez mais são recorrentes as utilizações de “best practices” dos outros importadores, e cada vez mais são necessárias estratégias concertadas entre os diversos importadores, se me faço entender.

Até ao próximo Nostálico numa viagem à cidade condal, Barcelona, onde passei três anos da minha vida.

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