O medo do terror

Código de Ghandi olhando o código de Hamurábi: – olho por olho dente por dente e o mundo acaba cego e desdentado. Foi colocado mais combustível na fogueira do ódio. Será de bom senso não a alimentar ou seremos todos queimados.
Desde Paris que Bruxelas deixou de ser tranquila. Passou a ser altamente vigiada e policiada. Quase cenário de guerra em meio a barraquinhas trendy de frittes, moules e gauffres. Vivia-se com algum medo de qualquer situação parecida a Paris mas ninguém acreditava verdadeiramente. Vamos antes beber mais uma cerveja… e lá íamos. E irei. Deixei o medo atrás das costas. Como faço sempre.
Hoje estamos de novo de luto por dezenas de vítimas que foram os cordeiros sacrificados. Em nome de quê? Isso ainda é mais aleatório…
Mais que o medo de alerta de ataques penso em todas as vítimas de ataques terroristas. De Ankara a Paris, à Síria, ao Iraque, em África, na Ásia. Penso nos refugiados de guerra que sobrevivem a estes ataques diariamente.
O remédio não é um Estado policial de terror. O remédio é combater as causas para que o medo do terror seja erradicado.
Porque mesmo que não queiramos, no terror do medo já vivemos.
Aos terroristas desejo que se encontrem felizes com as virgens prometidas. Sob o efeito de drogas pesadas, cérebros lavados, julgam-se a jogar playstation ou protagonistas de uma “pulp fiction” (romance de cordel).
Ontem, passeava pela cidade de Bruxelas, que retoma pesadamente a vida por entre uns simpáticos raios de sol. No regresso a casa, entrei num supermercado muçulmano onde costumo ir. Tinha prometido a mim própria não ouvir nem ver notícias hoje. A rádio debitava notícias e sem querer ouço: “os restos mortais das vítimas são deslocados para o Hospital militar e para a Universidade a fim de serem identificados por testes de ADN e impressões digitais”…Não ouvi mais nada. Senti um choque e fiquei paralisada. Como fiquei dia 22 de Março, dia dos atentados. Não vou explicar como é complicado alguém se adaptar a viver com o exército nas ruas, entre a falta de sol e o medo de um ataque.
Dar ordens ao cérebro «vais viver como se fosses uma borboleta. Vestir as asas e voar cada dia».
Um dia o medo inicial é ultrapassado e o normal passa a ser viver sem medo é a esperança.
Intuo que vou ser as bandeiras todas no seguimento de atentados como fui no passado e virei a ser no futuro, onde quer que venham a acontecer.
A noticia da rádio despertou-me.Para escrever sobre hipocrisias.
Toda a gente lamenta. Eu também. Eu sou cada vítima.
Mas quem lamenta e deveria de facto (porque tem poder para) apenas profere palavras. Porque a guerra, como a vida, essas, continuam dentro de momentos…
Sigam o dinheiro… podia ser uma frase de Hércule Poirot.
Entre jogos de interesses e de poder no actual sistema global de terror do capital, ao qual chamo útero e mesa de parto do terror e dos terroristas,se usarmos as células cinzentas, nem precisamos ser da Mossad, ou espertos (tradução minha e livre de “experts”) para entender algumas coisas.
Depois dos atentados vejo que não faltam os espertos em terrorismo internacional. Com mestrados e doutoramentos.
Desde erguer um muro para separar os muçulmanos, a matá-los todos, a bombardear o pedaço de chão ocupado pelos terroristas do pretenso califado, a dar dinheiro e ceder a chantagens no caso da UE à Turquia e começarmos as deportações, afinal os seguidores espertos como couves de Bruxelas, mundo fora, da couve maior Trump, têm tudo pensado e resolvido.
Estou convencida que estamos mesmo em guerra há algum tempo. Feita de vários atentados e ataques. De liberdades restringidas, de intolerâncias. E muita insegurança. Ora vindos de uns terroristas loucos, armados em estado, ora de uns Estados loucos e terroristas.
Mas isso sou eu que penso que vivo num hospício.
Há traços nos ataques que parecem puro amadorismo para quem não leu livros de espionagem e da Agatha Christie. Em Paris e em Bruxelas que são os que conhecemos melhor e porque mais próximos.
Preciso da opinião dos espertos: afinal são eles – os terroristas – uma força militar, mercenária, bem treinada e profissional com pretensões a conquistar o mundo, como se fossem um grupo de 007 dos maus… como uns espertos dizem, ou umas “encomendas” drogadas, mais ou menos treinadas para se matar e pelo caminho fazer sangue mas que perdem o passaporte na rua, desistem de se fazer explodir, e, chamam amigos na Bélgica para os ir buscar a Paris, ou outros que chamam um táxi (ao que parece a empresa enganou-se e no lugar da carrinha pedida pelos maus, mandou um carro normal, logo os terroristas não puderam levar o excesso de bagagem (15 kg de explosivos que iriam explodir no aeroporto) em casa…
Fico genuinamente confusa. Mas os espertos hão-de resolver a equação.
Vinha eu a levantar o véu qual Poirot, mais uma vez, depois de mais um atentado, às verdadeiras questões:
-Quem beneficia com os crimes?
-Quem financia estas encomendas mais ou menos profissionais mas verdadeiramente sanguinárias?
Se há uma torneira aberta de onde sai dinheiro e ninguém a fecha… os atentados vão continuar porque bem alimentados.
Os motivos são os jogos de poder, não tenho a menor dúvida.
Je suis as marionetas que oferecem o sangue nas explosões, a bandeira na foto de perfil, as lágrimas e os únicos com verdadeiro pesar.
Usem as células cinzentas. As respostas estão à nossa vista, entre os suspeitos do costume.
Como num rebanho que apenas precisa de um pastor (autoridade e disciplina) e de uma ovelha (medo) imprimem-nos uma ideia. Vê-mo-la ser difundida exaustivamente. Interioriza-mo-la e passa a ser a nossa única verdade.
É fácil ver como nos conseguimos unir em nome do ódio e apenas uns quantos se multiplicam em esforços de união, para combater este mesmo sistema que nos restringe a liberdade e a vida. E a vida em liberdade.
A nossa tragédia colectiva não é contra muçulmanos. É contra um sistema que está montado com o objectivo de nos dividir. Encontrei uma imagem algo simbólica, por aí, sobre refugiados, que conta uma história: os cristãos vão a partir de amanhã celebrar a ressurreição de um homem que nasceu num palheiro. A sua família fugia de uma guerra no Médio Oriente. De uma matança… Eram refugiados, encontraram abrigo e deram ao filho que nasceu o nome de Jesus…
Deu origem a uma religião e em nome de religiões de paz, uns quantos homens construíram um edifício gigante chamado ódio.
Há muitas famílias que são como nós todos, carne para canhão, cristãs e muçulmanas, em muitos lugares do mundo, e, que não podem neste momento celebrar a vida.
Gostava de a poder celebrar diariamente, sem factores de desunião. Que este seja mesmo um tempo de renovação das nossas ideias sobre a vida. Por união. Por liberdade. Por tolerância. Não permitindo que nenhum pastor nem nenhum cão nos domestique nem doutrine.
Renovarei sempre estes votos nas manifestações e homenagens às vítimas destes pastores e cães de fila que nos fingem guardar para depois nos fazer explodir e outros odiar.
A todos nós desejo, por todos nós sou #jesuispaz.r

PS – (Não sei a razão da existência de ovos de chocolate que naturalmente deve ter razões puramente comerciais, mas comam-nos. “O chocolate vem de uma árvore, logo é uma planta, logo um vegetal, logo salada”).