Na espuma dos nossos dias

Ando diabética. Com glicose sem direcção, perdida e acumulada no corpo. Como o mundo.
A glicose é a principal fonte de energia para o metabolismo dos humanos.
E, o mundo anda como o pâncreas dos diabéticos que não produz insulina, fazendo a glicose acumular-se, sem direcção, perdida.
O mundo deixou de produzir amor, fazendo o ódio acumular-se, perdido, andando sem direcção.
Para combater a diabetes do mundo preciso dar ao meu corpo shots de insulina como se fosse um diabético.
Sobre a forma de poesia.
Preciso de a comer, de a escrever com as mãos ambas, em pedaços inteiros para não entrar em coma amoroso-poético.
Como o mundo que eu quero comer.

Chega mansinho o amor,
debaixo de uma casuarina
naquela pedra frente ao mar
como alma se sentou
à espera de amar
e ser amado
ficou
o amor encantado
observando as vagas
se desfazerem na areia
vendo os pássaros migrar
a alma do amor
se pacientou
o amor veio e foi
pelas vagas empurrado
sem nunca parar para ser olhado
vagava por todo o lado
pelo mar foi espalhado
logo chegou dia sem nome
a alma o recebeu
o acariciou
nele se encostou
e hoje canta
que se faz amor por todo o lado

Inspirado em Leminski açúcar para o meu sangue metabólico-diabético

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