Monchique integra grupo das Montanhas Sagradas

Monchique e o município de Montejaque, Espanha, deram início ao processo de geminação no passado dia 13 de agosto com a assinatura de um Pacto de Irmandade, pelo presidente da Câmara Municipal, Rui André e pelo alcaide do Ayuntamiento, Diego Sanchez Sanchez, na sede do município andaluz.

Esta iniciativa teve lugar após uma proposta baseada nos estudos do professor universitário de Málaga, Virgílio Martinez Enamorado, sobre as Montanhas Sagradas do antigo Al-Andaluz, que incluem estes dois municípios.

Há na região sul de Espanha três localidades cujo nome deriva do topónimo árabe Munt Shaqir que significa montanha sagrada e que são Montejaque, Montejicar e Mojacar. Em Portugal existe uma localidade designada da mesma maneira e que é, atualmente, Monchique. Surgiu então a ideia de geminar estes quatro municípios de forma a criar uma associação que possa dinamizar as respetivas regiões, todas elas serranas, envelhecidas, algo empobrecidas mas com bastante potencial de desenvolvimento.

As possibilidades de intercâmbio podem vir a incidir em áreas que se enquadrem em relações sociais, culturais, económicas, desportivas, turísticas, entre outras.

A ocupação islâmica na região de Granada, último reduto árabe da Península Ibérica, terminou já no século XV deixando marcas bastante profundas naquela região. O Algarve, embora cristianizado mais cedo, também absorveu muito da cultura muçulmana que se nota em pormenores mas também na própria matriz da dinâmica cultural.

As geminações entre localidades tiveram início na Europa logo a seguir à Segunda Guerra Mundial com o objetivo de pacificar as populações e por este meio criar laços afetivos e culturais. As primeiras foram feitas entre França e Alemanha e foram depois espalhando-se por todo o continente, mercê da ação de presidentes de câmara, especialmente. Desde 1989 que a União Europeia apoia oficialmente estes projetos.

No caso concreto desta geminação, o Pacto de Irmandade ou Protocolo de Geminação vai ser submetido à aprovação dos órgãos executivos e deliberativos das duas autarquias para que possa ser oficialmente validado e servir de fundamento a iniciativas futuras que se insiram no seu âmbito.

Situado a cerca de 400 quilómetros de distância de Monchique, o município de Montejaque tem muitos pontos em comum com aquele concelho devido à orografia mas também à história e influência islâmica. Há exemplos disso na arquitetura tradicional, nas técnicas agrícolas e na gastronomia, até na linguagem popular ou na padroeira que num e noutro caso, curiosamente, é Nossa Senhora da Conceição. Existem num e noutro lado trilhos e percursos pedestres muito semelhantes, no entanto outras situações há em que nada se cruza. Não existem termas lá e em Monchique são uma mais valia mas os montejaquenhos têm no seu território um rio subterrâneo que faz as delícias dos amantes da espeleologia pela exploração que permite nas grutas que origina, a floresta monchiquense é muito mais pujante pela maior presença de água, coisa muito mais escassa nas montanhas de Montejaque mas que pode nesta diversidade potenciar o intercâmbio na área da caça, por exemplo. Também a habitação dispersa praticamente não existe lá enquanto em Monchique é uma boa vertente para intensificar o turismo rural, por exemplo.

Ponto comum é a simpatia e hospitalidade de Montejaque que recebeu de forma irrepreensível e empenhada a comitiva monchiquense formada pelo presidente da Câmara, Rui André, pelo seu chefe de gabinete, Hélder Renato, pelo arqueólogo ao serviço do município, Fábio Capela e pelo patrimonialista José Gonçalo Duarte.

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