Medronhos

Imagem recorrente nestes dias para quem percorre os caminhos da serra, pelas encostas onde o eucalipto não está com o monopólio da ocupação, é a presença de veículos automóveis, na maior parte dos casos tipo ligeiros de mercadorias. Mais evidente nos sábados e domingos, esta observação é de fácil entendimento. Trata-se de pessoas que apanham medronhos, umas proprietárias, outras arrendatárias, algumas a ajudar amigos e outras ainda que são amigas…do alheio.
Todas estas movimentações têm uma razão de acontecer e uma justificação. O resultado final é aguardente, que depois de um esforço de sensibilização e um enorme trabalho de algumas entidades e individualidades, começa a despertar um interesse muito grande. Prova disso são as quase cem destilarias legalizadas e a cerca de meia centena de marcas a comercializar, com todos os requisitos, aquele produto.
Não se atingiu, ainda, a perfeição. No entanto, as últimas décadas têm feito avançar enormemente os processos subjacentes. Podem aferir-se as iniciativas por teses e estudos, associações de produtores e lojas especializadas, confrarias e festivais, rótulos e garrafas, análises e impostos, mas acima de tudo o que é mais importante é nunca perder a noção da genuinidade. Aumentar a produção, controlar a qualidade, pagar impostos e sujeitar-se às leis da concorrência só podem ajudar a nivelar por cima e assumir que a aguardente de medronho que se afirme de Monchique é garantidamente um produto de grande qualidade.
De resto, nada que um calcezinho não resolva!

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