(Mais um…) gene da obesidade

Quanto mais se descobre sobre obesidade, mais se compreende que o assunto é muito mais complexo do que apenas excesso de aporte calórico. As suas causas são variadas, passando pelo tipo de alimentos consumidos, estilo de vida, falta de higiene de sono, consumo de medicamentos ou suplementos, assim como múltiplos (e amplamente desconhecidos) problemas endocrinológicos, metabólicos, genéticos e epigenéticos.

Décadas de investigação têm demonstrado que o caminho para a compreensão deste problema é amplo. No entanto, existem descobertas recentes que nos fazem voltar a olhar para o óbvio. Na realidade, por muitas justificações científicas que se encontrem, é do senso comum que quando se aumenta o aporte calórico, consequentemente aumenta-se de peso. E todos conhecemos pessoas, que, apesar de batalharem ao longo de toda a vida com o excesso de peso, cometem “pecados alimentares” com frequência. Estes episódios (“binge eating”), bem identificados pela ciência, estão definidos como ingestão compulsiva de grande quantidade alimentar, num curto espaço de tempo, chegando muitas vezes ao desconforto abdominal. As pessoas que têm este tipo de comportamento compulsivo experienciam uma falta de auto-controlo temporário, assim como sentimentos posteriores de ansiedade, vergonha e culpa. E se estes episódios não forem pura e simples falta de auto-controlo? Aparentemente não o são. Ou se são, poderão acontecer por determinação genética!

Recentemente, cientistas da Boston University School of Medicine identificaram uma molécula designada “cytoplasmic FMR1-interacting protein 2 (CYFIP2)”, como factor de risco major para comportamento alimentar compulsivo. Esta descoberta representa uma das primeiras correlações entre genótipo e distúrbios alimentares, e poderá constituir uma pedra basilar para o estudo dos princípios biológicos e para o tratamento da obesidade ou da bulimia nervosa. É apenas mais um passo dado na direcção da compreensão deste grande problema de saúde pública, que prejudica a qualidade de vida de tantos milhões de humanos, mas poderá vir a revelar-se um dos mais importantes!

(Texto escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico)

 

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