Maioria dos algarvios não utiliza transportes públicos

O carro ganhou adeptos nos últimos anos no Algarve, mais concretamente cerca de 30% entre os que realizaram deslocações pendulares entre 2001 e 2011. Em média, nesse último ano de referência, 6 em cada 10 pessoas que se deslocam com regularidade dentro da região fizeram-no em transporte individual, em detrimento do transporte coletivo, revelam os dados preliminares do diagnóstico da mobilidade da região que será apresentado na íntegra na quarta-feira, 26 de outubro, a partir das 9h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira, na presença de Eduardo Feio, presidente do Instituto da Mobilidade e dos Transportes.

Segundo nota da AMAL, só na zona centro (correspondente aos concelhos de Albufeira, Loulé, Faro, São Brás de Alportel, Olhão e Tavira), aquela que no Algarve concentra maior população, o crescimento do transporte individual durante esse período ultrapassou os 38%, enquanto o transporte coletivo rodoviário registou uma quebra de cerca de 23% dos seus utilizadores. Também perderam quota, tanto nesta zona como a barlavento e a sotavento, as deslocações pedestres e de bicicleta e motociclo. Só mesmo o comboio viu crescer a quota de utilizadores (+13,9%).

Esta evolução merecerá a reflexão dos mais de 50 parceiros do VAMUS – Projeto de Mobilidade Urbana Sustentável do Algarve, numa altura em que se preparam para dar início aos trabalhos de desenho das ações a incluir no plano que definirá novos modelos de mobilidade urbana mais eficientes, inclusivos e amigos do ambiente.

Os dados preliminares mostram ainda que, a par do crescimento do uso do transporte individual, aumentaram as deslocações interconcelhias, ao ponto de, em concelhos como São Brás de Alportel e Olhão, mais de um terço da população se deslocar diariamente para um concelho vizinho.

O transporte coletivo, ainda assim, está hoje mais acessível. Na zona Barlavento (correspondente aos concelhos de Vila do Bispo, Aljezur, Lagos, Monchique, Portimão, Lagoa e Silves), 97% da população (81% dos lugares) tem acesso a este tipo de serviço. Mas embora as principais ligações, Portimão-Lagoa e Portimão-Lagos, somem 93 circulações diárias, foram identificadas disfunções ao nível da rede. Para um passageiro embarcado em Monchique ou Silves chegar a Lagos, tem de se sujeitar a transbordos que nunca duram menos de 15 minutos. E o mesmo também acontece para passageiros que embarquem em Aljezur e Vila do Bispo para chegar a Portimão, adianta a mesma fonte.

Em contrapartida, cresceu a oferta de transportes coletivos urbanos nos concelhos mais populosos da região, muito embora a zona Sotavento (correspondente aos concelhos de Alcoutim, Vila Real de Santo António e Castro Marim) não disponha ainda de qualquer serviço dessa natureza.

Encabeçado pela AMAL e cofinanciado pelo CRESC ALGARVE 2020 no âmbito do PORTUGAL 2020, o VAMUS – Projeto de Mobilidade Urbana Sustentável do Algarve pretende desenhar o futuro da mobilidade urbana da região, numa base sustentável e inclusiva. O fórum realizado esta quarta-feira, em Albufeira, encerra a fase de diagnóstico e dá início aos trabalhos de planeamento das ações tendentes à mobilidade do futuro.

O fórum será aberto ao público, que, devido ao número limitado de lugares disponíveis, deverá proceder a inscrição prévia em www.vamus.pt.
FÓRUM “VAMUS CARACTERIZAR E DIAGNOSTICAR”

26 outubro – Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira

PROGRAMA

9h30 – Receção/ Inscrições
9h45 – Sessão de abertura
Presidente CM Albufeira – Carlos Silva e Sousa
Presidente AMAL – Jorge Botelho
Presidente IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes – Eduardo Feio
10h30 – Apresentações pelas equipas que estão a elaborar os PAMUS: Figueira de Sousa, Lda; MPT – Mobilidade e Planeamento do Território, Lda; TIS – Transportes Inovação e Sistemas, SA
11h15 – Debate / discussão dos resultados
12h30 – Encerramento

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