«Lugares de Globalização» inscrita na lista portuguesa candidata a Património Mundial da UNESCO

A candidatura «Lugares de Globalização», apresentada no final de 2015, integra a lista, divulgada no passado dia 30 de maio pela Comissão Nacional da UNESCO, de 22 bens que reúnem todas as condições necessárias para serem considerados Património Mundial.

Em comunicado, a Região de Turismo do Algarve (RTA) e a Direção Regional da Cultural do Algarve (DRCA) esclarecem que «uma revisão dos lugares incluídos circunscreveu a candidatura aos concelhos de Vila do Bispo, Lagos, Aljezur, Monchique e Silves. O Arquipélago da Madeira e o Arquipélago dos Açores, assim como, Cabo Verde, Ceuta, Mauritânia e Marrocos seriam outros dos territórios a integrar a candidatura numa verdadeira rede universal de conhecimento e de descoberta.

O objetivo desta candidatura de cooperação internacional é promover valores de tolerância, aumentar o conhecimento sobre o património e a diversidade cultural, promover a preservação do património histórico, assim como fomentar melhores relações entre os povos.

A candidatura integra elementos patrimoniais, mas também a história associada aos lugares, reconhecendo o seu valor universal. O Algarve alberga vários locais, símbolos, mitos e personagens, que é fundamental salvaguardar na narrativa da História de Portugal e do Mundo. Estes «Lugares da Primeira Globalização», que se prendem com o período de abertura da expansão marítima das rotas comerciais, estão na génese de um novo modo de conceção do mundo e de relações entre os povos, e detêm assim um valor universal a preservar.

O Algarve teve entre Lagos e Sagres «o cais primeiro» das viagens de descobrimento, conhecendo desde este território os primeiros grandes contactos transnacionais com a realidade africana e a abertura a um «novo Mundo». Até ao século XV estabeleceu-se a partir daqui um mosaico de culturas, uma sociedade dinâmica de complementaridade cultural, linguística, religiosa, técnica, comercial e política. Valores, ideias e práticas provindas das ligações com outros povos foram geradoras de soluções adequadas aos múltiplos problemas com que as sociedades africanas se confrontaram no multissecular percurso da sua história.

Foi mobilizada em torno da RTA e da DRCA uma rede de parceiros que apoiaram e tornaram possível este resultado, nomeadamente a Universidade do Algarve, a Direção Regional de Cultura dos Açores e a Direção Regional de Cultura da Madeira e os municípios algarvios envolvidos (Vila do Bispo, Lagos, Aljezur, Monchique, Portimão, Silves, Tavira e Castro Marim).

O comunicado alerta ainda que «o trabalho, agora iniciado, continuará a carecer do apoio de todos para chegar ao resultado desejado de inscrição na lista do Património Mundial da UNESCO» e destaca «o apoio científico prestado pelo Professor Doutor Rui Loureiro e a atenção especial do Professor Doutor Guilherme D’Oliveira Martins e da Doutora Lídia Jorge, padrinhos deste empreendimento».

Esta candidatura a «Lugares de Globalização» é o resultado de um processo iniciado em 2002, quando o Turismo do Algarve entregou na Comissão Nacional da UNESCO um pedido de inscrição de Sagres na Lista Indicativa do Património Mundial. A Comissão emitiu observações que inviabilizaram a candidatura e preconizou a integração numa candidatura mais ampla. Sagres manteve-se desde então integrado na candidatura da «Costa Sudoeste», colocada na Lista indicativa de Bens Portugueses a Património Mundial da UNESCO. No entanto, a Região de Turismo do Algarve e a Direção Regional de Cultura do Algarve sempre mantiveram o interesse na elevação de Sagres e dos lugares associados aos Descobrimentos Henriquinos a Património Mundial, assumindo desta vez um carácter transnacional. Em Junho de 2014, foi reiniciado pelo Comité Nacional da UNESCO uma atualização das candidaturas, tendo sido retomado este processo, assim como o relativo «À Costa Sudoeste» pelas entidades regionais da cultura e do turismo.

 

A lista indicativa atualizada integra os seguintes 22 Bens:

  • Aqueduto das Águas Livres
  •  Baixa Pombalina de Lisboa
  • Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela
  • Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros (extensão)
  • Complexo Industrial Romano de Salga e Conserva de Peixe em Tróia
  • Conjunto de Obras Arquitetónicas de Alvaro Siza em Portugal
  • Costa Sudoeste
  • Deserto dos Carmelitas Descalços e Conjunto Edificado do Palace-Hotel no Bussaco
  • Dorsal Médio-Atlântica
  • Edifício-sede e Parque da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa
  • Fortalezas Abaluartadas da Raia
  • Icnitos de Dinossáurios da Península Ibérica
  • Ilhas Selvagens
  • Levadas da Madeira
  • Lisboa Histórica, Cidade Global
  • Lugares de Globalização
  • Mértola
  • Montado, Paisagem Cultural
  • Palácio e Tapada Nacionais de Mafra e Jardim do Cerco
  • Rota de Magalhães. Primeira à volta do Mundo
  • Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga
  • Vila Viçosa, Vila ducal renascentista

 

Foto: Cabo de S. Vicente – Hélio Ramos

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