Lima e Nazca

Depois de uma longa viagem que me trouxe ao Peru e com uma situação por resolver no aeroporto de Lisboa relativamente a um visto, já que fazia escala no Canadá e não sabia que tinha de requerer tal coisa, o facto de ir com muita margem de tempo para o aeroporto permitiu-me apanhar o voo.

Já em Lima foi tempo de seguir no transporte mais barato para a cidade. Estive quase para regressar ao aeroporto e ir no autocarro turístico, mas como custava cerca de oito vezes mais resolvi seguir num desses combis cheios de gente.

Lima é uma daquelas cidades com tantos habitantes quanto Portugal. Por lá fiquei na zona de Miraflores, o que me deixava a cerca de oito quilómetros do centro histórico da cidade, mas que era bem fácil de encontrar já que era seguir sempre na mesma avenida, que até mudava de nome a meio.

Visitado o centro histórico da capital peruana, bem mesmo nas suas costas fica o bairro de Rímac, parecendo mais estar-se numa qualquer aldeia peruana do que numa cidade com a dimensão de Lima. Daqui avistei o Cerro San Cristóbal que pretendia visitar, mas não o fiz já que esta zona não é das mais recomendadas da cidade.

Enquanto esperava pelo autocarro para Nazca, que tinha reservado no dia anterior, travei conversa com um senhor de oitenta e dois anos, que tinha estado em Portugal em mil novecentos e sessenta e oito e que se lembrava do choco frito de Setúbal.

Depois de já ter algum tempo de espera foi-me dito que o autocarro não iria seguir, pois houve um sismo na zona de Arequipa de seis ponto três na escala de Richter, que provocou derrocadas na estrada em que o autocarro iria passar, estando esta intransitável por tempo indeterminado, pelo que tive de ir comprar outro bilhete noutra companhia que seguia uma rota diferente.

Nazca é conhecida pelas suas enigmáticas linhas e geoglifos de uma civilização pré-inca que sempre me fascinaram. Quando decidi visitar o Peru não tinha presente que Nazca ficava neste país, só o descobrindo já depois de ter a viagem marcada, o que me deixou radiante.

Apesar de ser inverno, Nazca fico no deserto e é bem quente. Em vez de ir de autocarro decidi ir a correr, como já me é típico, até ao miradouro onde se podem avistar dois destes geoglifos, a árvore e as mãos. Por lapso, peguei no boné que trazia para tempo frio e de chuva o que não ajudou a percorrer os cerca de vinte e cinco quilómetros junto à Panamericana, que consistiram numa reta com cinco quilómetros e outra com os restantes vinte, numa estrada onde circulam muitos camiões a velocidades elevadas.
De caminho creio ter cometido um crime, já que saí da estrada para ir ao cimo de um monte atravessado pelas linhas, sendo tal expressamente proibido, mas só me apercebi quando já lá me encontrava. A verdade é que a própria Panamericana foi construída sobre estas linhas.

Chegado ao mirador, uma rapariga perguntou-me como conseguia correr ali, já que ela nem ao sol conseguia estar. Respondi-lhe que ao correr no calor sente-se uma brisa que ajuda a refrescar, mas creio não a ter convencido com a resposta. Curiosamente não é a primeira vez que me fazem esta pergunta. O André, com quem costumo viajar, perguntou-me o mesmo quando regressou da Tailândia e a Marília a mesma coisa depois de ter estado em Angkor Wat, no Cambodja.

Regressei de autocarro, poupando o corpo que já estava com um valente escaldão, pois que nem protetor solar trouxe para o Peru.

A maior parte dos turistas visita as linhas de Nazca de avioneta, mas achei um preço elevado por meia hora de visita, passando esta maioritariamente na zona onde tinha estado.

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