Incêndio de agosto põe a descoberto património em Monchique

O incêndio de agosto de 2018 pôs a descoberto vestígios arqueológicos e patrimoniais que a vegetação cobriu com o passar dos tempos. No concelho de Monchique estão identificados 40 locais arqueológicos, na sua maioria datados da segunda metade do século XIX.

«Só se pode preservar e valorizar aquilo que se conhece!» e, segundo um comunicado da Câmara Municipal de Monchique(CMM) e a «bibliografia disponível, pode-se afirmar que a maioria dos sítios arqueológicos identificados neste município concentra-se na vertente voltada a sul do afloramento sienítico da Picota – área onde foram encontradas, entre outros vestígios, mais de setenta sepulturas que testemunham a ocupação deste território ao longo de milénios, por diferentes povos e em distintos momentos civilizacionais».

Na envolvência do Vale da Ribeira do Banho «foram identificados e escavados monumentos arqueológicos que ficaram completamente despidas de vegetação», aponta a mesma fonte.

«Após décadas de ocultação, vários monumentos sepulcrais ficaram novamente visíveis, abrindo-se assim uma janela de oportunidade para se proceder à relocalização e análise desses vestígios do nosso passado comum», afirma.

Nos últimos meses o Município de Monchique tem desenvolvido «pesquisas que visam a inventariação do património histórico-arqueológico referenciado na bibliografia, em especial os bens culturais imóveis situados nas áreas queimadas».

Nas Caldas de Monchique foram identificados «monumentos funerários que foram escavados entre 1937 e 1949 pelos ilustres investigadores Abel Viana, Octávio da Veiga Ferreira e José Formosinho. Por exemplo, das dezasseis sepulturas neolíticas registas na necrópole de Palmeira foram relocalizadas quinze, também se encontraram as sete sepulturas da necrópole do Esgravatadouro e as três da necrópole da Eira Cavada».

Nos trabalhos de campo foram ainda identificadas estruturas arqueológicas «no Cerro do Oiro e na necrópole pré-histórica de Belle France» e no «Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce realça-se o facto de se ter apurado o local de entrada para este enorme recinto fortificado, tendo-se identificado segmentos não registados da muralha que define a extensão máxima do arqueossítio – facto que possibilitou calcular uma área intramuros com aproximadamente 9,5 hectares».

Também nas ruínas do Eremitério de Nossa Senhora do Carmo, na Picota, e os moinhos de vento e de água que estavam camuflados pela vegetação, foram identificados vestígios patrimoniais.

«A prossecução destas pesquisas possibilitarão, entre outras coisas, a elaboração da futura Carta de Património Cultural do Concelho de Monchique, a realização de ações de investigação, de salvaguarda e de valorização patrimonial, bem como a preparação de materiais informativos sobre o diversificado património cultural do concelho de Monchique», garante a CMM.

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