Descubra as suas origens: um livro fascinante

“Descubra as suas Origens, Manual de Genealogia e História de Família”, por Francisco Queiroz e Cristina Moscatel, A Esfera dos Livros, 2016, é obra de leitura compulsiva, o assunto é empolgante para quem, como eu, tem ideias vagas e difusas sobre genealogia e heráldica, e fraco entendimento de como é que estas disciplinas se confinam à história de antepassados, aos nomes dos avoengos, dão pistas soberanas sobre mentalidades, modos de vida quotidiana, enfim, a interpretação do tempo que se pretende estudar.

Como escrevem os autores, durante muito tempo fazer Genealogia foi quase só apanágio daqueles que descendiam de famílias reais ou nobres, tal pesquisa era essencialmente o instrumento para a sua própria valorização social, sobretudo entre pares, assim como para permitir a renovação de privilégios e cargos hereditários. Tudo irá mudar no século XX, com o alargamento do âmbito da história e com o estudo de todos os estratos sociais. Acresce que na atualidade pesquisar os antepassados é algo acessível a todos.

Que abordagens nos propõem os autores? Pesquisar, interpretar e organizar. Tudo poderá começar sobre o modo como se pode geralmente fazer a história de uma família, quais os diferentes passos da pesquisa, onde estão os fundos documentais e o que estes geralmente contêm. Aborda-se seguidamente alguns conceitos fundamentais de Genealogia e de História da Família, e como estes permitem interpretar os dados extraídos das diversas fontes. Finalmente, explica-se o melhor modo de organizar os dados recolhidos e interpretados, consoante a finalidade que cada um pretende dar à pesquisa: pode ser a árvore genealógica ou mesmo o desafio de escrever a história da sua própria família.

Pesquisar, onde? Nos registos paroquiais, o que espera deles? E o leitor enfronha-se nos livros da desobriga, de visitações, livros de registo de batismos, casamentos e óbitos, os autores dão informação sobre os dados que geralmente podem ser encontrados nos assentos paroquiais. E somos surpreendidos por factos que pesam na genealogia e a que não conferimos, à partida, a maior importância: casos dos padrinhos. Os autores explicam porquê: “Os padrinhos são pessoas que simbolicamente assumem um encargo de educar e sustentar uma criança, caso os pais faleçam na sua menor idade ou deixem de ter capacidade para prover essa educação e esse sustento. Os padrinhos podiam ser escolhidos de modo a garantirem determinada carreira aos afilhados, carreira essa que os pais, por si só, sabiam de antemão não poder proporcionar (…) Os padrinhos podem ser pessoas da família próxima ou não. Quando não são, geralmente trata-se: de indivíduos ainda aparentados com o batizando e que vivem próximo dos pais da criança; de amigos ou colegas de profissão do pai da criança; ou então não parentes e não propriamente amigos, mas pessoas que, por sentido paternalista, assumem esse encargo. É disto exemplo um fidalgo que apadrinhe o filho legítimo de dois criados da casa”. Quanto à pesquisa de outras fontes documentais, há que ter em conta os registos sob expostos, as fontes notariais e judiciais, as fontes relacionadas com a propriedade, mas há mais.

Os autores recordam que há precauções na consulta de obras de genealogia: aferição da credibilidade do autor, e as suas afirmações devem ser dadas como meramente presumidas. Obras genealógicas portuguesas são inúmeras, basta pensar nos mobiliários, e agora a internet. Há vantagens, observam os autores, em publicar dados sobre a nossa pesquisa genealógica em fóruns ou grupos de genealogia nas redes sociais.

Quanto aos conceitos fundamentais da história da família, recordam-se os apelidos e quais da dificuldades na interpretação na origem dos apelidos portugueses. E assim chegamos à heráldica, que é a disciplina que se debruça sobre determinados emblemas que diferenciam e identificam não só pessoas e seus descendentes mas também localidades e corporações. A heráldica estuda a origem, o significa e as funções desses emblemas. Os autores adiantam: “Em Portugal, os brasões de armas atribuídos a pessoas são constituídos por um escudo e respetivo timbre, timbre esse geralmente disposto sobre um elmo. Em geral, nos brasões também se representam o virol, correspondendo às fitas enroladas que fixavam o timbre ao elmo. Consoante a época ou o perfil do armigerado, o brasão de armas podia ainda conter outros elementos, caso de um chapéu eclesiástico ou de uma divisa pessoal.

Quanto à elaboração da árvore genealógica, recorda-se a árvore de costados, é o tipo de árvore mais vulgar; outro tipo de árvore é a que apresenta a descendência de determinada pessoa, sendo que, no caso de ter havido casamento entre primos e incluindo a árvore suficiente número de gerações para poderem nela surgir os antepassados comuns, estes acabam por se repetir em vários pontos da mesma árvore. Os autores referem os programas informáticos, alertam para os cuidados a ter com os registos paroquiais e o que puder esperar efetivamente dos programas informáticos. Por último debruçam-se sobre a história da família e deixam alguns conselhos ao leitor: recorrer a um historiador que seja genealogista sempre que se pretende um estudo completo sobre a história da família; pedir orçamento a dois profissionais; saber avançar por etapas, definindo como etapa inicial a descoberta de um determinado número de antepassados e/ou gerações.

Para os autores, não há tarefa impossível para descobrir a nossa história familiar. As questões fundamentais sobre o pesquisar, o interpretar e o organizar estão neste aliciante manual que colmata a lacuna existente de uma boa obra de iniciação à genealogia e à história da família.

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