Colca Canyon

De Arequipa segui para Chivay, em pleno Colca Canyon, que é o segundo desfiladeiro conhecido mais profundo do planeta. Ainda em fase de recuperação deixei a quilometragem para Cabanaconde onde o desfiladeiro é bem mais profundo.

Em Chivay deu para passear junto ao rio e sentir a água quente que brota das rochas diretamente para este.
Mal cheguei a Cabanaconde foi necessário comprar o bilhete para o parque, aproveitando para fazer algumas perguntas no posto de turismo.

Nesse mesmo dia ainda saí até ao Mirador Achachiwa, aproveitando para fazer mais algumas perguntas a um casal que por ali estava, de modo a situar visualmente os locais que tinha no mapa.

Mais um dia em pleno na montanha pois saí mal o sol nasceu, pelas seis da manhã e cheguei já de noite, novamente às seis. Neste primeiro dia a sério no Colca Canyon fui até à Catarata de Huaruro e regressei a Cabanaconde por Sangalle, o que perfez as tais doze horas e cerca de quarenta e três quilómetros. Este é um percurso que a caminhar, os turistas fazem habitualmente em quatro dias.

A minha maior dificuldade foi já bem perto da catarata quando me desviei do trilho em direção ao rio e tive de me armar em macaco para conseguir transpor algumas das enormes rochas com algumas arriscadas técnicas dignas de alpinista.

Com estas parvoíces, o cansaço começou a chegar a ainda só estava a meio do percurso. Felizmente perto da catarata existe uma pequena aldeia, Fure, que tem alojamentos e onde pude almoçar.

Mesmo com almoço a meio do percurso, cheguei ao fim já nas últimas, muito fruto da última subida que em cinco quilómetros se ascende mil e duzentos metros. Felizmente não a tive de fazer sem água já que pude dar uso ao meu cantil LifeStraw que filtra este bem precioso.

Neste dia o meu relógio polar marcou seis mil e quinhentas quilocalorias, dando direito a mais uma sessão de vómitos já à beira do hostel, antes de ir jantar um belo frango assado.

Descansei um dia indo a Cruz del Condor de autocarro, local onde se concentram matinalmente imensos turistas para apreciar o voo destas belas aves.

O dia que se seguiu não estava destinado a grandes quilometragens, mas depois de fazer a primeira descida até ao rio decidi visitar a remota aldeia de Tocallo, para a qual me haviam dito no posto de turismo, dois dias antes, que não havia caminho. Por um lado, entendo que não sendo nada habitual visitar Tocallo e regressar no mesmo dia, a senhora do posto de turismo quisesse evitar que um turista se metesse em apuros, por outro, detesto quando sou objetivo nas perguntas que faço e me dão respostas falsas.

A subida até ao cimo da montanha que conduz até Tocallo tem perto de nove quilómetros e ascende-se dois mil metros. Quando lá cheguei cruzei-me com três mineiros bolivianos que estavam de regresso ao seu país com uma carga às costas que não era deste mundo. Segui até Tocallo, mas ao contrário de Fure, aqui nada há e regressei sem almoçar.

Tocallo é uma remota aldeia a um dia de distância de Cabanaconde a caminhar que é a única forma de cá chegar. Os poucos turistas que aqui vêm saem de Fure e lá regressam no mesmo dia. Vir aqui a caminhar e regressar a Cabanaconde implica aos turistas cinco dias, que eu reduzi para apenas um.

Antes da subida final para Cabanaconde, com seis quilómetros e mil e duzentos metros de ascensão, sentia-me bem, mas a meio acabei a água e tudo se complicou. Desta feita não encontrei água capaz que pudesse filtrar.

Ainda tive a companhia de Hiroshi, japonês, que seguia à minha frente já há algum tempo e que também já não estava na sua melhor condição, mas vinha bem mais carregado que eu. Ainda o ajudei a levar um pesado tripé trilho acima.

Chegámos a Cabanaconde às sete da noite, com mais de uma hora percorrida ao escuro à luz de lanternas.

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