Bangkok

Fiz mais uma viagem de comboio de doze horas rumo a Bangkok, com segurança reforçada fruto do atentado ocorrido há dias na capital. Fui interpelado várias vezes pela polícia que muito simpaticamente me fotografou com o telemóvel. Numa das vezes em que estava a dormir, acordei quando senti os polícias mexerem na minha mochila. Por cá as coisas fazem-se desta forma e nada há a dizer.
Foi montada uma verdadeira caça ao homem plenamente justificável face a quem cometeu tão bárbaro ato contra inocentes, especialmente por ter ocorrido num local de culto e pleno de espiritualidade.
Cheguei de madrugada, tratei de me acomodar na guest house do costume e segui para a outra ponta da cidade de visita à minha amiga Marisa.
De caminho passei pelo Erawan Shrine, o templo onde ocorreu o atentado. Este pequeno templo ao ar livre, situado entre prédios altos e centros comerciais, tem uma história muito peculiar, que o torna especial. Já aqui tinha estado no ano anterior e recordo-me de nem ter entrado, respeitando as vivências espirituais daqueles que lá se encontravam.
Nesta tarde de domingo aproveitei para ir ao Chatuchak Market, o maior da Tailândia e um dos maiores mercados do mundo, que apenas funciona aos fins de semana. Mesmo não sendo “a minha praia” impressiona a imensidão de lojas que comporta e a sua organização labiríntica. É até mesmo aconselhável utilizar um mapa para se ter a noção onde está.
Passei ainda mais um dia em Bangkok, na companhia da Marisa e do Xavier, já que o Nando se encontrava no Bangladesh em trabalho.
Segui ao final do dia para o aeroporto, onde pernoitei, já que tinha voo de manhã. Desta feita fiz escala em Istambul. Ainda pensei ir à cidade, pois tinha chegado ao fim da tarde e o voo era apenas na manhã seguinte, mas como tinha de pagar por um visto que iria utilizar apenas algumas horas, decidi não ir.
Mal cheguei a Lisboa, tratei de ligar ao David para confirmar a sua vinda ao Festival Reverence, que começava no dia seguinte aqui relativamente perto, em Valada, no Cartaxo. Foi tempo de ir comprar uma pequena tenda, alguma comida e seguir para o festival.
Com a minha habitual descontração, chegado ao bar do campismo, ainda antes de montar a tenda, travei conhecimento com o Goran e o Sinik, dois croatas que aqui tinham vindo propositadamente para o festival. Acabámos por travar amizade e partilhar os restantes dias do festival.
Curiosamente tinham visto o cartaz da primeira edição, do ano passado, pensando que seria este ano. Mesmo depois de se aperceberem do engano decidiram vir na mesma.
O David chegou no dia seguinte, quando começava realmente o festival. Foram três dias de muita e boa música, neste que é um festival de média dimensão virado para o rock psicadélico.
Destaco as atuações dos portugueses The Jack Shits, no seu último concerto já que o seu vocalista iria emigrar em breve, dos Bizarra Locomotiva e do trio super energético Jon Spencer Blues Explosion, que já não via há algum tempo, e dos The Horrors, que já algum tempo aguardava a oportunidade assistir a um concerto deles.
Findo o festival rumámos a Monchique no dia seguinte, passando ainda por Portimão para deixar um companheiro de viagem.