Autenticidade e inteligência

Uma das virtudes mais importantes para um bom relacionamento entre os seres humanos é, sem sombra de dúvida, a autenticidade. Se as relações não assentarem sobre alicerces bem seguros, apoiados na rocha mãe que é tudo aquilo que para além da natureza de cada um, nos forma enquanto pessoas, mal irá o mundo. As influências sociais, étnicas, culturais, da ancestralidade que vai moldando até os territórios, especialmente pelo peso da sua gestão, são, estamos convictos, o que deve nortear as decisões e ser tido em conta por quem tem as responsabilidades de garantir o caminho na direção do desenvolvimento e bem estar das comunidades.

A região serrana do Algarve, especialmente na área de Monchique, tem sofrido algum desfasamento entre o que até há algumas décadas se fazia e as realidades atuais, com um hiato que levou a um despovoamento profundo, um envelhecimento acentuado dos residentes e a alterações que se podem tornar formas desvirtuadas de convivências e de hábitos e costumes.

O JM tem tido uma ação pedagógica ao longo da sua existência editorial com a publicação de textos, artigos de opinião, temas formativos, notícias, reportagens, que fornecem ferramentas muito interessantes nestas áreas e sempre no sentido de promover o futuro sem perder o que as heranças socioculturais nos vão deixando como riqueza coletiva.

O trabalho subjacente aos conteúdos que o mestre Américo Telo nos vem oferecendo e as pistas sugeridas merecem reflexão. Nesta edição e em muitas outras anteriores e nas que se vão seguir. A autenticidade de uma gestão do espaço serrano na base das várias alíneas apontadas parece-nos capaz de promover pelo menos um debate profundo à volta do que queremos para nós e para legar aos vindouros.

A modernidade não implica necessariamente uma rutura abrupta com as memórias e os conhecimentos adquiridos mas com inteligência toda esta informação será encaminhada para um futuro autenticamente sustentável.

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