«Árvore Monumental» homenageia araucárias centenárias em Monchique

«As árvores são património» foi o tema que marcou uma reflexão sobre a paisagem e as árvores monumentais de Monchique, ontem, 16 de maio, no Largo dos Chorões.

Miguel Martins,  investigador na área da náutica e subaquática, falou sobre o papel das árvores de Monchique na construção naval no período dos descobrimentos portugueses no século XV.

Formado em história e a trabalhar, atualmente, na área da arqueologia, Miguel Martins referiu quatro pontos base que devem ser explorados quanto ao tema da construção naval portuguesa: a história marítima; a história económica, social e política; a tecnologia dos navios e a cartografia e mapeamento do mundo.

«Porque é que zonas como Monchique estão associadas aos Descobrimentos?», atirou o orador. Porque os carvalhos e pinheiros serviram para a construção de navios, servindo assim a zona de Lagos com madeiras de qualidade e com as especificidades necessárias para estarem em alto mar durante as expedições portuguesas.

Um «conhecimento que era passado de pais para filhos no leito da morte» e entre os carpinteiros, nas florestas, e dos estaleiros, na construção dos navios.

Stephen Hugman, presidente da Associação «A Nossa Terra», revelou as suas preocupações com as árvores centenárias de Monchique, ilustrando as várias espécies que fazem parte da floresta da serra algarvia.

Quanto a desafios para o futuro, Stephen Hugman considera que seria importante haver uma «proteção e classificação das árvores» e um «regulamento municipal» para preservação deste património vivo.

Para o presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André, que moderou o encontro, «no caso de Monchique a questão das árvores é fundamental» para consolidar os conhecimentos sobre esta fase da História – o período dos Descobrimentos Portugueses.

Realçou, ainda, que seria uma mais-valia a compilação das informações existentes num «dossier esquemático» sobre as evidências históricas que existem no concelho de Monchique «para uma vez que, mais tarde, queiramos fazer uma candidatura, ela possa ser mais consolidada», valorizando, desta forma, a importância do trabalho científico nestas áreas.

O edil deixou o alerta para a necessidade de se «envolver as escolas para que estes eventos sejam mais participados».

No final da palestra foi inaugurada a escultura «Árvore Monumental», produzida por Rita Pereira, em frente à sede da Junta de Freguesia de Monchique. A peça, que representa as araucárias centenárias que existem em Monchique, e é feita de carvalho e pedra calcária, «para absorver o musgo e todas as características da terra», explicou a artista.

A «Semana Cultural -Lugares de Globalização», que este ano destaca Cabo Verde, é uma iniciativa da  Vicentina – Associação para o Desenvolvimento do Sudoeste, em parceria com a Direção Regional de Cultura do Algarve, Região de Turismo do Algarve, Municípios de Aljezur, Monchique, Lagos, Silves e Vila do Bispo, a Associação Cultural LAC – Laboratório Atividades Criativas, e cofinanciada pelo CRESC ALGARVE 2020 e pela União Europeia, através do FEEI.

 

Na foto: Rita Pereira (escultora) , Rui André (presidente da Câmara Municipal de Monchique, Aura Fraga (presidente da Associação Vicentina), José Gonçalo da Silva (presidente da Junta de Freguesia de Monchique)

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