Algumas considerações sobre activismo político, direitos humanos, prisões arbitrárias, ditaduras e falta de liberdade de expressão

É preciso não temer a liberdade para se oferecer a vida por ela.

Cada um deve fazer o que se sente inspirado a fazer e essa é a beleza da liberdade.

Foi assim com os resistentes à ditadura de Salazar e com todos os ditadores mundo fora. Com gente desta fibra nasceu a Resistência durante a Segunda Guerra Mundial. A série Alô alô conta como foi para quem se quiser lembrar.

Gente de todas as idades fez ao longo da História, parte de movimentos clandestinos de luta contra opressores. Resume-se aqui a história da Humanidade. Opressores e oprimidos em lutas fratricidas.

Todos os seres humanos procuram ver as suas necessidades satisfeitas sejam elas de que natureza for. E com vista a esse fim, melhor ou pior, individual e colectivamente desenvolvemos estratégias.

Com os recursos que a terra nos oferece de mão beijada algo inscrito no ADN da natureza humana sobressai: a ganância. E a estratégia passa a ser, uns terem mais do que outros e sujeitar os seus pares a situações extremas de sobrevivência.

A pobreza é o dinossauro nunca extinto para bem reinar (mesmo que declarem que a extinguem em 2030 e eu assino a declaração). A vaidade humana usa desde tempos sem memória a rede social da ostentação porque não lhe chega apenas o desejo de ter mais do que o outro. Precisa de mostrar.

O mundo vive num estado de profunda e patente hipocrisia, de guerra permanente e, medo constantemente latente.

Resume-se aqui a história dos símios pouco sapiens que somos. Apenas variam as vestes. Ou seja, a moda evoluiu bastante. Libertou-nos das quatro patas e pêlos, para pesadas armaduras até chegarmos aos leves drones e ao fio-dental.

Só a nossa estratégia não evoluiu. Oprimirmos alguém menos forte, mais ignorante, mais ingénuo, mais submisso, mais medroso mantendo-o pobre. Vá lá, comecem a desenvolver outras…ou talvez não, estas dão bons resultados!

Nunca fomos tão evoluídos tecnologicamente e as redes sociais hoje servem de meio de comunicação alargada entre o mundo inteiro. E isso é fundamentalmente bom. Porque podemos criar grupos de solidariedade do mundo para a Síria, do mundo para Angola, do mundo para o Médio-Oriente, do mundo para as crianças raptadas por grupos extremistas, do mundo para mulheres agricultoras em luta contra a Monsanto na Índia, do mundo para a Guiné-Bissau e seus algozes, do mundo para o Brasil e os Índios que protegem as suas terras e são mortos, e, de um sem número de causas justas que mostram a involução do símio que somos.

As redes sociais que fazem a ponte e ligam os grupos que fazem resistência e contra poder são essenciais para uma sociedade ética. Os livros e os vídeos de pensadores que nos trazem tudo o que já foi inventado desde Sófocles traduzido em pensamento contemporâneo são vitais para a formação e para a educação.

Essenciais para desconstruir e desmontar os robôts sem alma em que nos querem transformar. Temos corpo e alma e ambos servem o propósito do nosso percurso na terra.

Uma sociedade sem gente empenhada em salvar um seu par é uma sociedade sem alma.
Tudo tem princípio meio e fim como a vida.

Como as todas imposições do homem sobre o homem-opressor versus oprimido (apartheid, colonialismo, ocupações, e regime ditatoriais).

Hamlet o príncipe de Shakespeare, disse que lhe bastava-se a ele próprio com a sua casca noz para ser feliz. A casca de noz é a sua consciência. Quando se pergunta olhando para a caveira “ser ou não ser?” pergunta-se implicitamente: perante a inevitabilidade da morte quem quero eu ser? Feliz com o ser que é a minha consciência ou ser uma qualquer figura falsa? Antes ser feliz com a minha consciência pensou Hamlet.

Agradeço a compreensão de quem me lê, em relação à minha consciência e às minhas expectativas, quem sabe perversas como ser humano, em querer que a ética e a bondade vinguem. O extraordinário é que cada vez mais gente se vira nesta direcção de mudança. Quero acreditar que esta é a boa noticia da evolução.

Uma sociedade sem gente empenhada em salvar um seu par é uma sociedade sem alma. Hoje dia 27 de Outubro, assinalo com paz na alma, o final de 36 dias de greve de fome do activista angolano Luaty Beirão, na sua luta pelos que têm morrido de fome no seu país. O regime opressor de Angola não mais será o mesmo.

 

(Texto escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *