A Vergonha

Onde está a vergonha? A esta pergunta de indignação, quando presenciamos acontecimentos que nos embaraçam e incomodam, pode ser respondido simplesmente na cara. Pois não é à cara que se ensinam as crianças a levar as mãos com as brincadeiras “ai que vergonha”? Não é a cara que costuma corar de vergonha? Não é a cara que os arguidos tapam quando as câmaras os filmam a ser detidos ou levados a tribunal?

Foi assim, toda a gente viu, com aqueles acusados de terem invadido as instalações sportinguistas de Alcochete e de terem espancado jogadores, técnicos e treinador. Isto, mostrando vergonha, depois de praticados os crimes, que antes estavam encapuzados como militares de elite em operação especial, só para não serem identificados. Sem qualquer vergonha na cara.

Envergonhados ficaram os adeptos do Sporting que não se reveem em tais comportamentos. E provavelmente todos os portugueses, com as imagens e notícias que correram mundo e denegriram o país que, no âmbito do futebol, é campeão da Europa, tem os melhores jogadores do mundo (incluindo futsal e futebol de praia) e dos treinadores mais conceituados. Uma pouca-vergonha! Que é como quem diz, uma enorme vergonha.

O crescendo de violência que tem grassado nesta e noutras modalidades desportivas só podia dar nisto. Desde que o Estado não reprime os comportamentos antissociais e é conivente com excessos lesivos do bem-estar das sociedades ao ponto da polícia enquadrar chusmas de adeptos violentos em deslocação até aos estádios, como animais para o redil, não se podia esperar outra coisa. Desde que dirigentes de clubes e comentadores televisivos, que ocupam vários canais em horário nobre, acirram os ânimos, a violência era previsível.

Algo tem de ser feito a sério para evitar esta selvajaria de claques organizadas, sem ética e respeito pelos valores mínimos da civilidade. Não se pode ficar por encolher os ombros e deixar cair os braços e, com as mãos, tapar as vergonhas.

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