A Travessa

Conforme as épocas e as modas se usam travessas ou não. É o caso das travessas nos cabelos das senhoras e das crianças, podendo também mudar de cor ou de feitio. O mesmo acontece com as travessas das cadeiras que já não são imprescindíveis para a estabilidade das mesmas, não correndo os seus utilizadores o risco de se estatelarem no chão, devido ao equilíbrio de forças proveniente dos novos designs.

Também as travessas de levar a comida à mesa estão a cair em desuso, tornando-se mais prático servir o prato diretamente da panela.

No tecido urbano já não se projetam travessas como antigamente, a ligar duas ruas. As exigências do trânsito e o tipo de desenvolvimento urbanístico assim o determinam.

Em contrapartida, novas ideias, novas teorias, em busca de duvidosas soluções, vieram transformar a estrada 125, a que muitos já chamavam rua, numa autêntica travessa.

Estas designações variam, como é sabido, consoante as dimensões e a capacidade de escoamento de trânsito. Se já era rua pelo atravessamento de localidades, a limitação de velocidade em grande parte do seu trajeto e os cruzamentos constantes, agora, com o estreitamento provocado pela supressão de bermas e a construção de passeios, diminuiu de categoria – passou a travessa. Com uma inovação: linhas extensas de pins no eixo da via, entre dois traços contínuos, que, concomitante com os passeios, impedem o escoamento de trânsito em caso de acidente ou avaria. (A 125 azul, como diz a canção, passou a 125 às riscas – a cor dos pins.)

E quando aí transitarem veículos em marcha lenta, como carroças de tração animal e outros, que antes utilizavam as bermas? E se na mesma altura surgir um veiculo de emergência, como ambulância ou carro de bombeiros?

Esta modificação, feita de atravessado, é que foi uma travessura para os algarvios.

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