A Continência

A saudação militar de levar a mão direita com dedos unidos até à testa em sinal de respeito a um superior hierárquico, chamada continência, tem a sua origem na Idade Média, quando os cavaleiros faziam sinal de paz abrindo a viseira do elmo. A continência foi evoluindo, o capacete deu lugar ao boné e ao contacto do indicador com o bordo do mesmo se apelida de bater a pala.

À pala da exortação apostólica Amoris Laetitia surgiu agora um aconselhamento, com mais ou menos clemência, à continência dos recasados, sendo admitida, em alguns casos, a ajuda dos sacramentos. Esta continência já é de outra ordem: trata-se mesmo de abstinência sexual. Os católicos já conheciam as regras, quase medievais, antes de andarem a casar-se, a descasar-se e a recasar-se. Não se podem queixar, nem esperar que sejam mudadas as regras a meio do jogo ou conforme lhes convém.

Pior será para um ou uma que casa com uma ou um divorciado. Só um é que será recasado, sendo só este aconselhado à continência. E o outro como faz? Jejua, também? O confessor, segundo a nota pastoral, deverá arranjar-lhe uma solução.

Mas as continências e as incontinências não se ficam por aqui. Também as há de ordem fisiológica, como as dos aparelhos urinário e digestivo. As soluções para estas incontinências são encontradas muitas vezes ao nível da medicação ou da cirurgia.

Podem ter os efeitos minimizados também com o uso de pensos, cuecas ou fraldas.

Mais difíceis de combater são as diarreias verbais, sem qualquer continência, que às vezes acontecem, apelando a práticas nada democráticas, mesmo que sejam em assembleias gerais bastante representativas.

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